Na reta final dos trabalhos do Congresso antes do recesso a partir de 18 de julho e o início da campanha eleitoral em 16 de agosto, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) vai se dedicar a resolver uma questão com impacto direto na sua tentativa de reeleição para a presidência da Câmara em 2027. Diante da vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU) com a antecipação da aposentadoria do ministro Augusto Nardes, o parlamentar precisa decidir se fará um gesto na direção do PL ou do PP.
Se quiser atender aos desejos do Centrão, Motta só marcará a eleição para o TCU depois da campanha. Assim, será possível saber se o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), pré-candidato ao Senado em Alagoas, terá ganho ou perdido a disputa em outubro.
A eleição no estado nordestino terá três nomes competitivos, que hoje alcançam percentuais de mais de dois dígitos nas pesquisas de intenção de votos: além de Lira, o senador Renan Calheiros (MDB), candidato favorito à reeleição com apoio do presidente Lula, e o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), ex-secretário de segurança e ex-promotor de Justiça.
Nas últimas semanas, o ex-presidente da Câmara tentou, mas não conseguiu convencer o senador Flávio Bolsonaro a retirar a candidatura de Gaspar do páreo. Como o ex-prefeito de Maceió JHC — hoje pré-candidato ao governo de Alagoas — deixou o PL e filiou-se ao PSDB, a campanha presidencial entendeu que era importante ter o número “222” na chapa local.
Lira não admite (e não admitirá) publicamente que quer a vaga do TCU como um seguro pós-eleição, e o seu partido faz o jogo de dizer que há quatro nomes de olho na vaga de Nardes: o paraibano Aguinaldo Ribeiro, os baianos Cacá Leão e Claudio Cajado, e o gaúcho Covatti Filho.
A estratégia do PP tumultuando a corrida ao TCU com vários concorrentes é lida na Câmara como crucial para evitar a eleição do deputado federal Altineu Côrtes (PL), homem forte de Valdemar Costa Neto no Rio e favorito à vaga de Nardes se a disputa ocorrer nas próximas semanas sem a presença de Lira.
Em abril, Altineu se fortaleceu ao cumprir um acordo com o PT e entregar votos dentro do PL para eleger o deputado Odair Cunha para o TCU. Em votação secreta, o petista recebeu o apoio de 303 parlamentares, seguido bem de longe pelos adversários Elmar Nascimento (União Brasil), e Danilo Fortes (PP), com 96 e 27 votos, respectivamente. Na esquerda, há um compromisso de reciprocidade com o deputado do PL.
Desde que lançou o aliado e presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, para o governo do Rio, Altineu vem passando mais tempo explicando os negócios envolvendo a sua família do que defendendo propostas do aliado para enfrentar o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Nos últimos dois meses, O GLOBO revelou que integrantes da família do deputado têm uma pedreira e uma lavanderia que faturaram com obras de pavimentação e contratos na área da saúde durante o governo de Cláudio Castro.
Se garantir a sua vaga para o TCU agora, Altineu planeja manter o espólio de votos de São Gonçalo lançando o filho de mesmo nome para a vaga de deputado. O sucessor Altineu Côrtes Paesler Coutinho, de 30 anos, também tem uma vida empresarial. Além de atuar na mineração, é sócio de uma fábrica de cosméticos e produtos farmacêuticos chamada Allpharma. Assim como o deputado do PL, a empresa localizada em Saquarema cada vez mais cresce em exposição pública. Com a sua marca de desodorantes DryOn, o filho de Altineu patrocinou o campeonato Carioca e amistosos da seleção brasileira esse ano.

