A história de Saint Charles, de 47 anos, se confunde com a de milhares de compatriotas. Em 12 de janeiro de 2010, o Haiti foi devastado por um terremoto de magnitude 7,0 que deixou mais de 200 mil mortos e destruiu a infraestrutura do país. O desastre humanitário que se seguiu forçou uma onda migratória histórica, transformando o Acre na principal porta de entrada de haitianos no Brasil.
Foi nesse cenário de reconstrução e busca por sobrevivência que Saint Charles decidiu deixar sua terra natal. “Quando deixei Gonaïves (cidade onde nasceu), em 2011, passei pelo Panamá, Equador e Peru para poder chegar a Rio Branco. Estava em busca de trabalho e de uma vida tranquila. Já faz 15 anos que estou no Acre e hoje vivo uma vida feliz”, declarou o haitiano.

Brasil e Neymar: Um coração dividido?
Na segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo nesta sexta-feira, 19,, o destino coloca frente a frente as duas pátrias de Saint Charles. Apesar do amor pelas suas raízes, ele não esconde o favoritismo pelo país que o acolheu e revela sua admiração pelo craque da Seleção.
“O Brasil vai ganhar do Haiti. O futebol brasileiro é o melhor do mundo. Sou muito fã do Neymar”, comentou Saint Charles, que lamenta o fato de o craque não estar em campo nessa partida.
Fé, trabalho e a saudade da família
Saint Charles veio para o Brasil sozinho; sua família permaneceu no Caribe. Em Rio Branco, ele encontrou estabilidade: há 15 anos é funcionário do grupo Arasuper, onde é querido por colegas e clientes. Fora do trabalho, ele dedica seu tempo à fé como membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

“Meus pais e irmãos ficaram no Haiti. Sinto saudades, mas o Brasil é um lugar alegre e acolhedor, aqui eu tenho tudo”, afirma o imigrante.
O “Poliglota do Arasuper”
Por trás da rotina simples e da extrema humildade, Saint Charles carrega uma bagagem cultural impressionante. Ele é um verdadeiro poliglota, fluente em cinco idiomas: crioulo, francês, inglês, espanhol e português.

“Consigo me comunicar bem nos cinco idiomas. Posso viajar para passear ou trabalhar em qualquer lugar”, diz ele, com um sorriso de quem superou a dor do terremoto para vencer na vida através do conhecimento e da resiliência.

