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ONU aponta que Rio Branco e Porto Acre não têm plano de ação contra o calor extremo

Por Redação Juruá em Tempo.8 de junho de 20265 Minutos de Leitura
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A maioria das cidades brasileiras não tem plano de ação estruturado para enfrentar o calor extremo. Um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela que 66% dos municípios participantes ainda não saíram das etapas iniciais de planejamento sobre o tema. No Acre, Rio Branco e Porto Acre fazem parte da iniciativa e apresentam perfis distintos, mas igualmente preocupantes.

Rio Branco classifica o calor extremo como uma das três prioridades climáticas do município. O mapeamento de exposição ao calor e a identificação de populações vulneráveis já foram concluídos. Ainda assim, os dados existentes não são utilizados regularmente em decisões administrativas ou projetos formais. A prefeitura informou que não possui nenhum arranjo institucional específico para o tema, sem secretaria designada, sem orçamento alocado e sem mecanismo de coordenação entre setores.

As ações de infraestrutura verde e azul, como plantio de árvores, parques e corredores verdes, ainda não foram iniciadas. A capital acreana também não aplica critérios de eficiência energética nas compras públicas de equipamentos de resfriamento. Para os próximos 12 a 18 meses, a prefeitura não identificou foco geográfico ou institucional específico, e estima que entre 50 mil e 200 mil pessoas possam ser beneficiadas por ações prioritárias.

Os grupos apontados como foco incluem moradores de áreas de alta vulnerabilidade, crianças e jovens, usuários de equipamentos públicos e idosos. As principais barreiras apontadas são a falta de dados e ferramentas e a limitada capacidade técnica. O município depende de recursos externos para avançar e indicou o planejamento de ação contra o calor como o apoio mais urgente.

Porto Acre apresenta situação ainda mais inicial. O município não realizou nenhum trabalho formal de mapeamento de calor ou planejamento relacionado ao tema. Não há dados locais de temperatura, exposição ao calor ou risco climático disponíveis para embasar decisões. A prefeitura informou ter um departamento ou servidor responsável pelo assunto, mas nenhuma ação de infraestrutura verde ou resfriamento passivo foi iniciada.

Para os próximos 12 a 18 meses, o foco declarado é a adoção de política em escala municipal, com ênfase em crianças e jovens, moradores de áreas vulneráveis e trabalhadores ao ar livre. A estimativa de pessoas beneficiadas é de até 50 mil. As barreiras identificadas são capacidade técnica limitada e recursos financeiros insuficientes. Assim como Rio Branco, Porto Acre depende de financiamento externo e aponta o planejamento de ação contra o calor como prioridade de apoio.

O levantamento integra o programa Mutirão Contra o Calor Extremo, conhecido internacionalmente como Beat the Heat, parte da plataforma global Coalizão pelo Resfriamento. No Brasil, 105 municípios fazem parte da rede, que reúne 258 cidades ao redor do mundo. O diagnóstico foi realizado com 53 cidades brasileiras respondentes, que somam uma população total estimada em 50 milhões de pessoas, das quais cerca de 7 milhões podem ser diretamente beneficiadas pelas ações previstas.

Os dados nacionais revelam uma contradição, 93% dos gestores municipais reconhecem o calor extremo como um risco relevante, e 68% o colocam entre os três principais desafios climáticos de seus municípios. Mesmo assim, esse reconhecimento não se converteu em capacidade de resposta. Três quartos das cidades não utilizam dados de calor de forma estruturada para embasar decisões. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos, e 85% dependem de financiamento externo para implementar qualquer medida de adaptação.

Entre as ações já adotadas nacionalmente, prevalecem as soluções baseadas na natureza, como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas, presentes em 77% dos municípios. Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis e materiais refletivos, aparecem em 21% ou menos das cidades participantes. Mais de 80% ainda não desenvolveram critérios de compras públicas sustentáveis voltados ao resfriamento urbano.

A CEO da COP30, Ana Toni, avaliou que a adaptação a esse cenário exige colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo. “O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo”, disse Ana Toni. O Pnuma alerta que o fenômeno causa cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enchentes e deslizamentos no mesmo período.

A urgência do tema cresce diante da possibilidade de formação de um Super El Niño na segunda metade de 2026, conforme previsões do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O fenômeno pode intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar a frequência de ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul. Para os próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes do estudo pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam concentrar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis.

Por: AC24horas.
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