Clientes da Gol Linhas Aéreas que tiveram o voo cancelado no Aeroporto de Cruzeiro do Sul denunciam a falta de assistência da companhia e apontam um suposto tratamento privilegiado a um grupo seletivo de viajantes. A aeronave, que tinha como destino a capital Rio Branco no último domingo (31), apresentou falhas mecânicas e não decolou.
De acordo com os relatos, a empresa realizou uma triagem discriminatória na segunda-feira (1º) para realocar os passageiros. Enquanto autoridades políticas, assessores e clientes do programa de fidelidade da categoria “Diamante” teriam recebido prioridade para embarcar em um novo voo rumo a Rio Branco, o restante dos passageiros foi informado de que a viagem só acontecerá na quarta-feira (3).
Entre os afetados pelo adiamento está a aposentada Maria Cleonice Rocha de Paula, que detalhou o cenário de descaso na acomodação oferecida pela Gol.
“Ligaram para algumas autoridades, assessores e outras pessoas para seguirem viagem hoje. Nós, os demais passageiros, fomos informados de que teremos que esperar até quarta-feira. Ficamos em um hotel sem ar-condicionado e a alimentação demorou a ser disponibilizada”, desabafou a aposentada.
O caso de Maria Cleonice ilustra um histórico de sucessivos transtornos na mesma viagem. Inicialmente, seu embarque estava programado para a sexta-feira (29), sendo postergado pela primeira vez para o domingo.
A aposentada relatou que comprou uma passagem de cerca de R$ 4 mil com destino final a João Pessoa (PB). Além do atraso crônico, a Gol alterou o itinerário original do voo de forma unilateral, inserindo uma conexão em São Paulo sem o consentimento da passageira.
Até o fechamento desta reportagem, a Gol Linhas Aéreas não havia se manifestado publicamente sobre as queixas de atendimento desigual e a precariedade na assistência de hotelaria e alimentação. O número total de passageiros retidos no município de Cruzeiro do Sul que aguardam realocação também não foi divulgado pela empresa.

