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Síndrome rara no coração fazia mulher desmaiar sempre que comia

Por Redação Juruá em Tempo.5 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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Comer era uma atividade cercada de medo para a britânica Sarah Hall. Aos 50 anos, ela conviveu durante mais de uma década com episódios de tontura, alterações na visão e desmaios que surgiam durante as refeições, sem saber o que estava causando o problema.

Moradora de St Albans, na Inglaterra, Sarah começou a apresentar sintomas aos 39 anos. Na época, os desmaios aconteciam ocasionalmente e eram acompanhados de vômitos.

Com o passar dos anos, as crises se tornaram mais frequentes. Aos 45 anos, ela passou a notar que os episódios estavam relacionados à alimentação. Já aos 48 anos, as tonturas e perdas de consciência começaram a ocorrer com maior intensidade.

Inicialmente, Sarah acreditou que os sintomas pudessem estar ligados ao cansaço, à desidratação ou às mudanças hormonais da menopausa. A verdadeira causa só foi descoberta após um desmaio durante um almoço em família, que a levou a procurar ajuda médica.

Diagnóstico de condição raríssima

Após uma série de exames, um monitor cardíaco usado por 48 horas mostrou que o coração de Sarah havia apresentado 12 pausas em apenas um dia. O diagnóstico foi de síncope de deglutição cardioinibitória, uma condição extremamente rara. Segundo a British Heart Foundation (BHF), há menos de 150 casos descritos na literatura médica mundial.

O que é a síncope de deglutição cardioinibitória?

A síncope de deglutição cardioinibitória é uma condição rara na qual o ato de engolir alimentos ou bebidas desencadeia uma resposta exagerada do nervo vago, estrutura que participa do controle dos batimentos cardíacos.

Quando isso acontece, o coração pode desacelerar de forma abrupta e a pressão arterial pode cair, reduzindo temporariamente a chegada de sangue ao cérebro. Os principais sintomas são:

  • Tontura durante ou logo após as refeições;
  • Sensação de desmaio iminente;
  • Escurecimento ou embaçamento da visão;
  • Fraqueza súbita;
  • Perda de consciência;
  • Quedas associadas ao desmaio;
  • Em alguns casos, pausas prolongadas nos batimentos cardíacos.

Por ser uma condição extremamente rara, o diagnóstico costuma exigir investigação especializada, geralmente com monitoramento cardíaco para registrar alterações do ritmo do coração durante os episódios.

Após não apresentar melhora com abordagens convencionais, Sarah foi encaminhada para um estudo realizado no Hammersmith Hospital, em Londres.

Em 2024, ela passou por uma ablação cardioneural, procedimento que utiliza cateteres para tratar áreas do coração relacionadas à resposta anormal do nervo vago.

Para os médicos envolvidos no caso, a história de Sarah reforça o potencial da ablação cardioneural para tratar formas raras e incapacitantes de síncope. Segundo a British Heart Foundation, ela não voltou a desmaiar desde o procedimento. A britânica retomou a direção, voltou ao trabalho e hoje consegue fazer refeições sem o medo constante de perder a consciência.

Por: Metrópoles.
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