Vão-se os anéis, ficam os dedos. Até o momento, Daniel Vorcaro não mudou o disco na nova rodada de negociação de sua delação premiada. Pelo menos quando o assunto é Ciro Nogueira. O dono do Banco Master segue defendendo a tese de que não houve corrupção ou relação de “causa e efeito” nos pagamentos que fez ao senador.
Como informou a coluna, Vorcaro já havia sinalizado que pretendia trazer mais informações do que na tratativa inicial, mas ainda apostaria numa versão “light” de acordo, com contenção de danos.
Segundo envolvidos nas negociações, Vorcaro insiste que os pagamentos que fez a Nogueira se deram pela relação de amizade. Sobre a emenda apresentada pelo parlamentar para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o dono do Master defende que o senador fez por amizade e que não houve favor em troca.
A Polícia Federal apontou que o texto foi redigido dentro do Banco Master, elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a “Ciro” na casa do parlamentar.
A aquisição da participação societária de uma empresa ligada a Vorcaro pela CNLF, companhia que tem Ciro como sócio e é administrada pelo irmão do senador, também tem sido descrita por Vorcaro como uma “oportunidade de negócio”. Ele nega que o fato de a aquisição ter sido feita por R$ 1 milhão, sendo que valia R$ 13 milhões, seria uma contrapartida por serviços prestados. A defesa de Nogueira afirma que ele não teve participação em atividades ilícitas.
Os advogados de Vorcaro pediram autorização para ter um regime especial de visitas ao cliente, que está preso, até a primeira quinzena deste mês para trabalhar no acordo de delação. A autorização foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, com aval da PF e do Ministério Público. A primeira proposta foi considerada fraca e rejeitada pela PF. Por ora, Vorcaro não deu sinais de que mudou de postura.

