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Aliados aconselham Flávio a adiar escolha ao Senado no Rio após operações da PF

Por Redação Juruá em Tempo.10 de julho de 20264 Minutos de Leitura
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A poucos dias do início das convenções partidárias, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser aconselhado por aliados a adiar ao máximo a definição do candidato do partido ao Senado no Rio. A recomendação, segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, surgiu após a sequência de operações da Polícia Federal que atingiu nomes cotados para compor a chapa no estado e tem como objetivo reduzir o período de exposição do futuro indicado antes do registro oficial das candidaturas.

A avaliação é que antecipar o anúncio criaria um risco político desnecessário. Em menos de dois meses, três nomes ligados à montagem da chapa foram atingidos por investigações da Polícia Federal. O primeiro foi o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), inicialmente escolhido por Flávio para disputar uma das vagas ao Senado. Ele desistiu da candidatura depois de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, posteriormente, virar alvo de uma operação da PF que investigou suspeitas de fraude no setor de combustíveis e de outra que investiga os aportes do RioPrevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Na última semana, foi a vez do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), indicado pela federação União Brasil-PP para ocupar a outra vaga na chapa. Alvo da Operação Unha e Carne, ele acabou preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu carro durante o cumprimento de mandados. A sequência de episódios levou dirigentes do PL a defender que o próximo escolhido seja anunciado apenas mais próximo do prazo final para o registro das candidaturas.

O terceiro caso envolve o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que figurava entre os favoritos para substituir Castro até perder força após o avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares. Embora não tenha sido alvo da nova fase da operação deflagrada na semana passada, investigadores passaram a apurar a origem dos R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado ao deputado, além da suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos.

Nos bastidores, integrantes do partido afirmam que anunciar o nome agora significaria submetê-lo a semanas de desgaste antes mesmo do início oficial da campanha.

A cautela também alcança o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), um dos principais cotados para disputar a vaga. Embora não tenha sido alvo dos desdobramentos mais recentes da investigação sobre cotas parlamentares, Jordy foi atingido pela operação deflagrada pela Polícia Federal em dezembro do ano passado. Hoje, ele disputa a indicação com o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que, segundo interlocutores da campanha, aparece como favorito.

A estratégia, porém, está longe de ser consenso dentro do partido. Integrantes do PL reconhecem que adiar a definição reduz o risco de desgaste do escolhido, mas afirmam que a demora vem aumentando a insatisfação entre dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos, que cobram uma definição justamente quando o calendário eleitoral entra na reta decisiva.

O caso do Rio tornou-se o principal símbolo desse impasse. Flávio pretendia anunciar o substituto de Cláudio Castro na última sexta-feira, mas voltou a adiar a decisão. Agora, interlocutores defendem que a escolha ocorra apenas durante a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ou até mesmo posteriormente.

Pela legislação eleitoral, as convenções partidárias poderão ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, enquanto o prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. Na prática, mesmo realizando a convenção em 25 de julho, o PL ainda terá cerca de três semanas para concluir negociações e formalizar a chapa na Justiça Eleitoral.

Esse intervalo, na avaliação dos aliados de Flávio, permite manter as negociações abertas sem comprometer os prazos legais. Reservadamente, porém, dirigentes do partido admitem que chegar à convenção sem um nome definido para uma das vagas ao Senado transmite uma imagem de indefinição justamente em um dos estados considerados estratégicos para a campanha presidencial.

O desconforto não se limita ao Rio. Nas últimas semanas, dirigentes estaduais passaram a reclamar da demora para arbitrar disputas locais e fechar palanques considerados prioritários para a candidatura de Flávio ao Planalto. A avaliação de parte da cúpula do partido é que decisões essenciais vêm sendo sucessivamente adiadas, dificultando a organização das campanhas às vésperas do início oficial da corrida eleitoral.

Interlocutores da campanha reconhecem que parte dessa lentidão decorre da complexidade das negociações e da necessidade de acomodar interesses de diferentes partidos aliados. Também admitem que Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais e que diversas definições foram colocadas em compasso de espera diante da expectativa pela lista de candidatos ao Senado e aos governos estaduais apoiados pelo ex-presidente.

Por: InfoMoney.
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