A confirmação da atuação do fenômeno El Niño e a previsão de que ele permaneça até o início de 2027 acendem um alerta para o Acre. De acordo com o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta quinta-feira, 09, por órgãos federais de monitoramento climático, o estado está entre as áreas da Amazônia com maior risco de enfrentar redução das chuvas, temperaturas acima da média e aumento da incidência de queimadas durante o segundo semestre deste ano.
O documento informa que o El Niño foi oficialmente confirmado em junho e que há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até pelo menos o início de 2027. Os modelos climáticos indicam ainda alta possibilidade de um episódio de forte intensidade, cenário que favorece chuvas abaixo da média em parte da Região Norte e temperaturas superiores ao normal nos próximos meses.
Para a Região Norte, onde está o Acre, a previsão é de precipitações inferiores à média e calor acima do esperado entre julho e setembro. Segundo o boletim, essa combinação reduz a umidade do solo, aumenta a evaporação e pode provocar deficiência hídrica, afetando pastagens, culturas permanentes e a agricultura familiar.
Embora o Monitor de Secas indique que a região norte apresentou, em maio, a situação mais favorável do país, o documento ressalta que o El Niño costuma influenciar diretamente o regime de chuvas da Amazônia. Áreas da região já registram impactos como redução dos níveis de córregos e igarapés, além do aumento de focos de calor e incêndios florestais, exigindo monitoramento constante.
Outro ponto de atenção para o Acre é o risco de queimadas. O boletim aponta que, entre julho e setembro, o estado integra a faixa de maior vulnerabilidade ao fogo no país, ao lado de Rondônia, sul do Amazonas, sul do Pará e Mato Grosso. A combinação entre estiagem prolongada, temperaturas elevadas e uso do fogo favorece a propagação de incêndios e pode tornar mais frequentes os focos de calor durante o período mais seco do ano.

