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CV divulga áudio atribuído a suposto PM da ROCAM admitindo que arrochou droga e que distribuiu com colegas de farda

Por Redação Juruá em Tempo.15 de julho de 20264 Minutos de Leitura
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A capital amazonense se tornou palco de um cenário de guerra e denúncias gravíssimas de corrupção policial nesta quarta-feira (15). Uma série de vazamentos promovidos pela facção Comando Vermelho (CV) expôs um suposto esquema de roubo e revenda de entorpecentes liderado supostamente por policiais militares das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM). As acusações do crime organizado já resultaram em um “tribunal do crime” com execução, decretos de morte e o fuzilamento da residência de um policial.

O Áudio do Desvio e a Negociação

O estopim do escândalo digital é um áudio atribuído supostamente a um policial da ROCAM, onde o agente relata os bastidores da interceptação de um caminhão carregado de entorpecentes. Na gravação, o homem confessa a apropriação indevida da carga e a divisão entre os colegas de farda.

“Cada um ficou com três sacos só, mano. É, nós éramos sete da Rocam (…) O resto ficou tudo do meio pra metade dentro do caminhão”, detalha o homem no áudio.

O relato prossegue explicando que um dos policiais, habilitado na categoria D, assumiu a direção do veículo interceptado para abandoná-lo em outro local. A audácia do esquema culmina na tentativa do suposto PM de negociar a sua parte do “arrocho” (roubo de drogas) diretamente com os donos da carga — possivelmente membros da própria facção. Ele afirma ter comprado um chip novo para retomar o contato e revender a mercadoria.

Execução no Ramal da Suzuki

A denúncia do áudio materializou-se em sangue na manhã de terça-feira (14). Um homem foi encontrado crivado com mais de 12 tiros no Ramal da Suzuki, no Distrito Industrial II.

Antes de ser brutalmente executado, a vítima foi submetida a um interrogatório gravado pelos criminosos. Visivelmente machucado, o homem segurava um celular mostrando uma conversa de WhatsApp com um contato salvo como “Dantas Magalhães”. Sob coação, ele confessou ter recebido 54 quilos de drogas roubadas da própria facção pelas mãos do PM: “Ei Dantas, tu me deu droga rochada dos irmão de camisa. Então entrega o resto que tu tem, aí, entendeu?”

O corpo foi abandonado junto a um bilhete assinado pelo tribunal do crime: ”Morreu por vender drogas roubadas”.

“Decreto” do CV e Casa Fuzilada

A retaliação do Comando Vermelho não se limitou ao traficante executado. A facção emitiu um “decreto” digital acusando a ROCAM de ser “uma das maiores corporações que arrocha droga no Estado do Amazonas”.

O Alvo Exposto: Um cartaz com a foto do PM Alexandre da Silva Magalhães circulou no submundo do crime, rotulando-o como “PM Arrochador da ROCAM”.

O Ataque: A residência do policial Dantas Magalhães, no bairro Jorge Teixeira (zona leste), foi alvo de um ataque brutal. Imagens mostram integrantes da facção disparando cerca de 40 tiros de grosso calibre contra a fachada do imóvel, espalhando pânico entre os moradores da região.

Segundo as publicações do crime organizado, o volume total de drogas desviadas pelos agentes estatais chegaria a quatro toneladas, destinadas ao repasse para outros traficantes. A facção chegou a oferecer recompensas por informações sobre o paradeiro dos policiais envolvidos.

Investigações em Andamento

O caso expõe uma fratura grave na segurança pública do Amazonas. O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizou perícias tanto no local da execução no Distrito Industrial II quanto na residência fuzilada no bairro Jorge Teixeira.

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) assumiu o caso e trabalha em duas frentes simultâneas: identificar e prender os membros da facção responsáveis pelo homicídio e pelo ataque a tiros, e investigar a fundo a veracidade das acusações de corrupção, formação de quadrilha e tráfico de drogas que pesam contra os agentes da ROCAM citados no dossiê do crime organizado.

Abaixo, apresentamos os materiais que estão viralizando nas redes sociais na íntegra, disponibilizados exclusivamente para fins informativos e investigativos, contextualizando a gravidade dos eventos ocorridos em Manaus.

Por: CM7.
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