A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) colocou toda a rede estadual de saúde em estado de alerta para o risco de reintrodução do sarampo no Estado. A medida foi oficializada por meio de notas técnicas publicadas na última quinta-feira (23), que estabelecem novos protocolos para identificação, atendimento, isolamento, notificação e investigação de casos suspeitos da doença diante do avanço da circulação do vírus em países vizinhos, especialmente o Peru.
Os documentos destacam que o Acre possui uma condição de vulnerabilidade por fazer fronteira internacional e manter intenso fluxo de pessoas com o Peru e a Bolívia. Em razão desse cenário, a Sesacre orienta que qualquer paciente que apresente febre e exantema (manchas avermelhadas pelo corpo) acompanhados de sintomas como tosse, coriza ou conjuntivite seja tratado inicialmente como caso suspeito até a conclusão da investigação epidemiológica.
Embora o Brasil tenha recuperado, em novembro de 2024, o certificado de país livre do sarampo, a Secretaria alerta que a ameaça de reintrodução da doença permanece porque o vírus continua circulando em diversos países das Américas. Conforme a nota técnica, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualizados até junho de 2026, registram 20.521 casos confirmados de sarampo e 25 mortes na região, situação que levou o governo acreano a reforçar a vigilância epidemiológica.
As novas orientações determinam que as unidades de saúde façam a identificação precoce dos pacientes com sintomas compatíveis, realizem o isolamento imediato dos casos suspeitos para reduzir o risco de transmissão, efetuem a notificação compulsória em até 24 horas e providenciem a coleta de amostras para confirmação laboratorial. Também deverão ser investigados todos os contatos próximos do paciente, com verificação da situação vacinal e adoção das medidas de bloqueio quando necessário.
Como parte das ações de prevenção, o Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen/AC) também publicou uma nota técnica reforçando os procedimentos para coleta, acondicionamento e envio de amostras de pacientes suspeitos. O documento destaca que a rapidez no diagnóstico laboratorial é fundamental para detectar precocemente casos importados, impedir a formação de surtos e monitorar a circulação viral, sobretudo em um estado de fronteira como o Acre.
A Sesacre ressalta ainda que o ressurgimento do sarampo nas Américas está relacionado, entre outros fatores, à queda das coberturas vacinais observada nos últimos anos. Segundo a nota técnica, essa redução favoreceu a reintrodução e a disseminação do vírus em diferentes países, mesmo após os avanços alcançados no controle da doença. Diante desse cenário, a orientação é para que a população mantenha o esquema vacinal atualizado e procure imediatamente uma unidade de saúde caso apresente sintomas compatíveis com sarampo, principalmente se tiver realizado viagens internacionais ou mantido contato com pessoas vindas de áreas onde há circulação do vírus.

