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Missão da UE alerta navios e diz que houthis estão prontos para atacar

Por Redação Juruá em Tempo.22 de julho de 20265 Minutos de Leitura
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Militantes houthis do Iêmen estão prontos para atacar embarcações a partir de posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, e navios ligados a Israel, Estados Unidos ou à Arábia Saudita devem evitar transitar pela região, informaram organismos internacionais nesta quarta-feira. O alerta surge dias após o grupo, aliado do Irã, declarar que imporá um bloqueio à navegação saudita.

Segundo a missão naval da União Europeia ASPIDES, o nível de risco para qualquer embarcação ou empresa de navegação afiliada a esses três países é “alto”. Isso inclui, disse, “embarcações de qualquer nacionalidade que tenham recentemente atracado, carregado ou descarregado cargas em portos sauditas, uma vez que esses navios podem ser percebidos como associados aos interesses sauditas e, portanto, considerados potenciais alvos”.

A missão recomendou, ainda, que qualquer embarcação que tenha passado por um porto saudita reduza sua pegada eletrônica, diminuindo o uso de rastreadores e as transmissões de identificação. Ao mesmo tempo, o Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC), órgão internacional de monitoramento da segurança naval, afirmou que “fontes próximas ao grupo afirmaram que os houthis concluíram os preparativos para atacar embarcações”.

Os houthis disseram nesta semana que imporão um bloqueio à navegação ligada à Arábia Saudita e advertiram armadores para que evitem atracar em portos do país, em uma escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A medida ameaça as exportações sauditas de petróleo a partir de Yanbu, um polo no Mar Vermelho que se tornou uma alternativa crucial desde que a guerra reduziu quase a zero o tráfego marítimo por Ormuz.

As embarcações continuaram utilizando as rotas marítimas estabelecidas sem interrupções, e não houve ataques confirmados contra navios mercantes nas 48 horas anteriores, informou o JMIC. O grupo naval multinacional compartilha informações relacionadas à segurança marítima no Oriente Médio com o setor de navegação comercial e foi criado no início de 2024 em resposta aos ataques dos houthis contra embarcações no Mar Vermelho.

Na terça-feira, porém, algumas embarcações interromperam temporariamente suas viagens antes de entrar no Mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb, enquanto outras que já navegavam nesse mar deram meia-volta e seguiram em direção ao Canal de Suez.

Rota alternativa

Se os houthis cumprirem a ameaça, poderão provocar mais uma grande turbulência nos mercados globais de petróleo ao comprometer uma alternativa crucial ao Estreito de Ormuz. Desde as primeiras semanas da guerra com o Irã, iniciada em 28 de fevereiro após ataques americanos e israelenses, a Arábia Saudita vem utilizando um oleoduto que atravessa o país para redirecionar milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.

Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb — Foto: Editoria de Arte
Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb — Foto: Editoria de Arte

A maior parte desse petróleo chega aos mercados por meio de Bab al-Mandeb, no sul do Mar Vermelho, na costa do Iêmen e próximo de áreas controladas pelos houthis. Uma parcela menor segue para o norte, em direção ao Mar Mediterrâneo, por um oleoduto que atravessa o Egito ou, no caso de combustíveis derivados do petróleo, pelo Canal de Suez.

Qualquer interrupção dessas rotas alternativas restringiria ainda mais a oferta de petróleo e combustíveis para um mercado já abalado pela retomada dos ataques contra embarcações no Golfo Pérsico. Até agora, no entanto, o mercado parece cético de que a milícia realmente levará a ameaça adiante. Na terça-feira, o petróleo foi negociado em torno de US$ 91 (R$ 461) por barril, praticamente o mesmo preço registrado antes do alerta.

Impactos elevados

Os riscos, no entanto, são elevados. Se os houthis conseguirem impedir completamente que a Arábia Saudita utilize o Mar Vermelho, cerca de 4% da oferta mundial de petróleo poderá ser retirada do mercado global. Essa estimativa, baseada em dados de transporte marítimo da Kpler, seria adicional à atual perda de oferta decorrente das restrições em Ormuz.

Dada a proximidade dos houthis com o estreito de Bab al-Mandeb, presume-se que seja nesse ponto que o grupo tenha maior facilidade para interromper a navegação. Segundo a Kpler, a Arábia Saudita vem utilizando essa passagem estratégica para exportar aproximadamente 3,6 milhões de barris por dia de petróleo e combustíveis, principalmente para a Ásia. Esse volume representa um aumento expressivo em relação aos níveis registrados antes da guerra, quando quase todas as exportações sauditas passavam pelo estreito de Ormuz.

Embora o oleoduto que atravessa o nordeste do Egito e o Canal de Suez sejam alternativas para transportar petróleo e combustíveis sauditas, eles não são tão atrativos quanto o Estreito de Ormuz ou o de Bab al-Mandeb. Há vários motivos para isso, mas o principal é que enviar petróleo para a Ásia por essa rota levaria muito mais tempo e custaria muito mais caro.

Os navios de grande porte usados para transportar petróleo bruto não podem utilizar o Canal de Suez, pelo menos quando estão totalmente carregados. Já o Sumed, o oleoduto egípcio, não tem capacidade para absorver todo o volume de petróleo que a Arábia Saudita vinha escoando por Bab al-Mandeb. Além disso, seguir para a Ásia pelo Mar Mediterrâneo acrescentaria cerca de quatro semanas à viagem, já que os navios teriam de contornar o continente africano.

(Com Bloomberg e New York Times)

Por: O Globo.
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