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Renda dos acreanos atinge recorde histórico, mas produtividade ainda limita salários

Por Redação Juruá em Tempo.2 de julho de 20265 Minutos de Leitura
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A divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em maio, referente aos Rendimentos de todas as fontes (2025), trouxe uma excelente notícia para o mercado de trabalho brasileiro. Segundo o IBGE, o rendimento médio mensal real da população ocupada atingiu R$ 3.367, o maior valor desde o início da série histórica, em 2012. O resultado confirma um cenário de recuperação da economia, aumento da ocupação e fortalecimento da renda das famílias.

No Acre, os indicadores seguem a mesma tendência positiva, embora revelem um desafio conhecido: o Estado continua ampliando a renda da população, mas em ritmo inferior ao observado no Brasil e na Região Norte. A leitura conjunta das estatísticas mostra uma economia em evolução, porém ainda limitada por uma estrutura produtiva de baixa produtividade e reduzida capacidade de geração de empregos de maior remuneração.

O primeiro dado que chama atenção é o crescimento da população com algum tipo de rendimento. Em 2012, o Acre contabilizava 376 mil pessoas recebendo renda proveniente do trabalho, aposentadorias, pensões, programas sociais ou outras fontes. Em 2025, esse número alcançou 486 mil pessoas, um aumento de 29,3%, equivalente à incorporação de aproximadamente 110 mil acreanos ao universo daqueles que possuem alguma fonte de renda.

Esse crescimento foi superior ao registrado pelo Brasil (21,5%), embora inferior ao observado na Região Norte (34,0%). Mais importante do que o aumento do número de beneficiários é observar que o trabalho continua sendo a principal fonte de sustentação da renda das famílias acreanas. Dos 486 mil residentes com rendimento, 319 mil receberam rendimento habitual do trabalho, evidenciando que a economia estadual continua fortemente dependente da geração de empregos.

Os programas sociais também tiveram papel relevante nessa trajetória. O número de beneficiários passou de 55 mil pessoas, em 2012, para 120 mil em 2025, mais que dobrando ao longo da série histórica. Durante a pandemia, esse contingente chegou a 149 mil pessoas, impulsionado pelo Auxílio Emergencial. Após esse período houve redução, mas os programas permaneceram em um patamar significativamente superior ao observado antes de 2020, refletindo a consolidação das políticas de transferência de renda como importante mecanismo de proteção social.

O segundo aspecto revelado pela PNAD é a evolução do rendimento médio. Em valores reais, considerando todas as fontes de renda, o rendimento médio mensal do acreano passou de R$ 1.198, em 2012, para R$ 2.438, em 2025, crescimento de 103,5%. Trata-se de um avanço expressivo, mas inferior ao registrado no Brasil (135,1%) e na Região Norte (123,8%).

Apesar da evolução, permanece uma distância importante em relação ao restante do país. O rendimento médio acreano corresponde atualmente a apenas 72,4% da média brasileira e a aproximadamente 94,8% da média da Região Norte. Em outras palavras, o Acre praticamente alcançou a média regional, mas ainda está distante do padrão nacional de remuneração.

Os rendimentos do trabalho foram os principais responsáveis por esse avanço. O rendimento habitual recebido pelos trabalhadores acreanos aumentou de R$ 1.317 para R$ 2.794, enquanto o rendimento efetivamente recebido passou de R$ 1.405 para R$ 2.932, ambos com crescimento superior a 110% em termos reais. Esses números demonstram que a melhoria da renda estadual decorre, sobretudo, do fortalecimento do mercado de trabalho, e não apenas da expansão das transferências governamentais.

Outro indicador importante é a massa de rendimentos, que representa o volume total de recursos circulando na economia. Em 2025, o Acre alcançou R$ 1,184 bilhão, o maior valor de toda a série histórica. Em comparação com 2012, quando esse montante era de R$ 948 milhões, o crescimento foi de 24,9%.

Esse indicador possui enorme relevância econômica. Quanto maior a massa de rendimentos, maior tende a ser o consumo das famílias, o faturamento do comércio, a demanda por serviços e a arrecadação tributária. Em outras palavras, mais dinheiro circulando significa uma economia mais dinâmica. Não por acaso, o fortalecimento da renda ajuda a explicar os bons resultados recentes observados no comércio e na arrecadação estadual.

Entretanto, a comparação com outras regiões revela novamente o mesmo comportamento observado nos demais indicadores. Enquanto a massa de rendimentos cresceu 37,2% no Brasil e 46,9% na Região Norte, o Acre registrou expansão inferior, reforçando que o Estado avança, mas ainda sem conseguir acompanhar plenamente o ritmo nacional.

As estatísticas do IBGE permitem extrair uma conclusão importante. Nos últimos treze anos, aumentou o número de pessoas com rendimento, cresceram os salários, expandiu-se a massa de recursos em circulação e o mercado de trabalho mostrou sinais consistentes de fortalecimento. Sob esse aspecto, os resultados são claramente positivos.

Entretanto, os números também deixam evidente que o principal desafio do Acre deixou de ser apenas criar empregos. A prioridade passa a ser gerar empregos mais produtivos e mais bem remunerados. Isso depende da diversificação da economia, da agregação de valor às cadeias produtivas, da industrialização da produção agroextrativista, da expansão da bioeconomia, do fortalecimento do cooperativismo, da inovação tecnológica e da qualificação da mão de obra.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o Acre está avançando. O crescimento da renda é real e beneficia milhares de famílias. Mas também revelam que ainda existe um longo caminho para reduzir a distância que separa o Estado dos níveis de renda observados no restante do país. A boa notícia é que a base desse crescimento já está construída. O próximo passo será transformar esse avanço quantitativo em um salto de produtividade capaz de gerar mais riqueza, melhores salários e maior qualidade de vida para a população acreana.

Por: Orlando Sabino.
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