O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, se reúne nesta segunda-feira com cerca de cem representantes de embaixadas no Brasil para defender urnas eletrônicas e tratar do uso de inteligência artificial na eleição. De acordo com o TSE, a representação diplomática dos Estados Unidos mandará representante.
Os EUA estão sem embaixador no Brasil, e a Embaixada está sendo liderada pela diplomata Kimberly Kelli, encarregada de negócios interina. O TSE ainda não informou se é ela que vai ao encontro.
A expectativa é que Nunes Marques reitere o discurso em defesa das urnas eletrônicas, como ocorreu durante reunião entre o ministro e 25 representantes diplomáticos, em junho. Tal posicionamento se deu no mesmo ciclo de debates em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, citou dados falsos sobre as urnas eletrônicas, gerando reação do TSE. Quando a reunião marcada para esta segunda foi convocada, a Corte eleitoral destacou que a urna eletrônica é um “patrimônio do povo brasileiro”.
No encontro, o presidente do TSE também deve detalhar planos de contingência para enfrentar o uso de deepfakes e conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais, assim como o disparo em massa de desinformação. É esperado que a Corte fixe, nos próximos dias, um precedente de aplicação das resoluções que vedam deepfakes na campanha ao analisar o caso do vídeo por IA em que uma simulação do ex-presidente Jair Bolsonaro declara apoio ao filho.
O evento foi agendado após a área internacional do Tribunal ser procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar sobre visita de integrantes do governo americano. A audiência não foi marcada devido ao recesso do Judiciário. Dias antes, o Itamaraty negou vistos de dois funcionários do governo americano que viriam ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. A avaliação interna levou em consideração que o pedido de visto ocorreu em paralelo ao questionamento de Flávio às urnas eletrônicas.
Em paralelo à reunião, o TSE iniciou uma série de encontros com diplomatas sobre as Missões de Observação Eleitoral (MOEs) internacionais para as Eleições Gerais de 2026. A Organização dos Estados Americanos (OEA), a UE o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore), a Liga dos Estados Árabes e a Rede dos Órgãos Jurisdicionais de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP) vão integrar o grupo.
Na semana passada, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Europeia (UE), dos Estados Unidos e de Cuba estiveram no TSE para tratar do tema. Na quinta ocorreu o encontro com a equipe da Embaixada dos Estados Unidos, integrada pelo conselheiro político adjunto, Ray R. Sudweeks, pelo primeiro-secretário, Sean R. Smith, e pela especialista política Daniela Mota.



