Os houthis pró-Irã do Iêmen atacaram um transformador elétrico na cidade sagrada de Medina, na Arábia Saudita, segundo a coalizão militar liderada por Riad — um ato que a Turquia condenou firmemente nesta quinta-feira. O “atentado covarde”, ocorrido na terça-feira e “direcionado contra uma infraestrutura civil que fornece eletricidade à Mesquita do Profeta em Medina, insere-se nas tentativas desta milícia extremista de atacar as duas mesquitas sagradas e na provocação deliberada a milhões de muçulmanos ao investir contra Meca e Medina”, ressaltou a coalizão militar em um comunicado no X.
Riad, aliado do governo iemenita, já havia acusado, em meados de setembro, os houthis de realizarem um ataque com drone contra Meca — algo que os combatentes pró-Irã negaram. Os houthis rejeitaram, na quinta-feira, qualquer responsabilidade por possíveis ataques contra esses locais sagrados, por meio de Mehdi al-Mashat, chefe do Conselho Político Supremo, citado pelo canal Al-Masirah.
Meca e Medina, no oeste da Arábia Saudita, são as duas cidades mais sagradas do Islã. Medina abriga o túmulo do profeta Maomé. O governo iemenita, apoiado por Riad e reconhecido pela comunidade internacional, denunciou “uma violação flagrante da soberania do Reino da Arábia Saudita e do caráter sagrado de Medina, bem como uma provocação deliberada aos muçulmanos de todo o mundo”.
O Iêmen “considera a milícia terrorista houthi e o regime iraniano que a apoia como os únicos responsáveis por este ataque”, escreveu o Ministério das Relações Exteriores do Iêmen no X. O ataque desencadeou uma onda de condenações na região. Para a Liga Árabe, “este ataque desperta a ira dos muçulmanos de todo o mundo e representa uma perigosa escalada por parte da milícia houthi”, afirmou a organização em um comunicado.
A mesquita Al-Azhar, no Cairo, sede da autoridade máxima do Islã sunita, também expressou sua “rejeição categórica” a este ataque, “que ameaça a segurança da Cidade do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) e a coloca em perigo”. O Sudão denunciou um “ato de ódio”.
“Condenamos energicamente o ataque dos houthis contra a infraestrutura civil” em Medina, reagiu, por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em um comunicado nesta quinta-feira, reafirmando seu apoio ao aliado saudita.
Turquia, Paquistão e Arábia Saudita estão unidos por um pacto de defesa mútua, assinado em agosto em Meca. Apesar desse acordo, Islamabad e Ancara não responderam até o momento aos bombardeios dos houthis iemenitas contra a Arábia Saudita.



