O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, que definiu a disputa final entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve ampla repercussão nos principais veículos da imprensa internacional nesta segunda-feira (5).
Com 100% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%. Os dois candidatos voltam a se enfrentar na votação marcada para 25 de outubro.
Análises de jornais europeus e norte-americanos enfatizaram a votação obtida por Flávio à frente do atual presidente e observaram a consolidação de nomes da direita em disputas para o Congresso e para governos estaduais.
Análise dos jornais estrangeiros
O jornal britânico The Guardian classificou a votação do candidato do PL como “melhor do que o esperado”, avaliando que o senador chega ao segundo turno em posição de favoritismo. A publicação também sublinhou a expansão de candidaturas alinhadas ao movimento conservador na Câmara, no Senado e em governos estaduais.
Na mesma linha, a rede pública britânica BBC apontou que o desempenho das urnas superou as estimativas prévias de pesquisas e indicou que a etapa final do pleito se desenha sob relativo controle da candidatura oposicionista.
A CNN Internacional tratou o pleito brasileiro como um ponto de virada para os rumos políticos da América Latina. Segundo a análise da emissora, uma eventual vitória de Flávio consolidaria um aliado estratégico para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçando posições de Washington no continente diante da presença econômica da China.
No francês Le Monde, o destaque foi o desapontamento entre eleitores e militantes governistas com o resultado da apuração. A reportagem retratou a apreensão de apoiadores do Planalto durante a contagem de votos e afirmou ser “inegável” a força demonstrada pelo bolsonarismo no país.
O espanhol El País afirmou que o senador se aproxima de reconduzir a direita ao Palácio do Planalto. O texto lembrou que o candidato é alvo de investigações sobre suposta prática de corrupção e apontou que a concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro é tratada como prioridade por seus aliados.



