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Flávio Bolsonaro e Lula disputam eleitores da terceira via e abstenção de 33 milhões

Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciam nesta semana as negociações do segundo turno com o objetivo de atrair os eleitores que votaram nos dez nomes eliminados no primeiro turno das eleições presidenciais. Juntos, os candidatos derrotados somaram mais de 9,3 milhões de votos, valor equivalente a 7,81% dos sufrágios válidos registrados pela Justiça Eleitoral.

Com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a distância entre os dois primeiros colocados ficou em 2.227.651 votos. Flávio liderou a votação com 56.104.268 votos (47,03%), seguido por Lula, que alcançou 53.876.617 votos (45,16%).

A segunda etapa do pleito ocorrerá no dia 25 de outubro. Até lá, as duas candidaturas terão três semanas de campanha para tentar captar os votos dispersos e reduzir a taxa de absenteísmo no país.

Candidato Partido Votos Válidos % dos Válidos
Flávio Bolsonaro PL 56.104.268 47,03%
Lula PT 53.876.617 45,16%
Augusto Cury Avante 3.448.551 2,89%
Renan Santos Missão 2.675.878 2,24%
Ronaldo Caiado PSD 2.605.128 2,18%
Zema Novo 326.486 0,27%
Samara UP 122.911 0,10%
Hertz Dias PSTU 43.103 0,04%
Clariana Barao DC 40.043 0,03%
Edmilson Costa PCB 22.693 0,02%
Veterinário Wilson Grassi Democrata 16.881 0,01%
Rui Costa Pimenta PCO 15.024 0,01%

Posicionamento dos eliminados

Terceiro colocado na disputa, com 2,89% dos votos (3,44 milhões), o escritor Augusto Cury (Avante) não indicará voto na etapa final. Em carta divulgada após a apuração, Cury cumprimentou os dois finalistas, mas evitou apoio formal. “Quem ganhar, torço para que governe pensando em um Brasil de esperança”, afirmou o escritor, que ao longo do primeiro turno manteve postura crítica tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo.

O quarto colocado, Renan Santos (Missão), que obteve 2,24% dos votos (2,67 milhões), declarou durante a campanha que não apoiará nem Lula nem Flávio. O dirigente partidário tentou se consolidar como uma alternativa de direita desvinculada da família Bolsonaro e manteve a rejeição a ambas as candidaturas após o resultado das urnas.

Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado com 2,18% dos votos (2,60 milhões), informou que conversará com o presidente nacional de sua sigla, Gilberto Kassab, antes de definir a posição do partido. O governador de Goiás, que esteve aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e no início do mandato estadual, adotou postura crítica ao núcleo bolsonarista ao longo de 2026 para disputar o eleitorado conservador.

Fator abstenção

Além dos eleitores que escolheram outros nomes, as duas campanhas voltam as atenções para os brasileiros que não compareceram às urnas. A taxa de abstenção no primeiro turno atingiu 21,08%, o que representa mais de 33 milhões de eleitores ausentes. Trata-se do maior índice registrado em eleições presidenciais desde 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito.

O total de faltosos supera em cerca de 15 vezes a margem de votos que separa Flávio de Lula. A busca pela recuperação desses eleitores é tratada como prioridade pela equipe petista para reverter a desvantagem numérica.

A proximidade do placar atual remete ao cenário verificado na eleição presidencial de 2022, quando a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro no segundo turno foi de 2,13 milhões de votos (50,90% a 49,10%).

Após a divulgação do resultado, Lula afirmou que o segundo turno representa o início de uma nova etapa da disputa. Em pronunciamento no mesmo dia, Flávio comemorou o resultado da votação e declarou que o desempenho nas urnas sinaliza a mudança no cenário político nacional.