Centros acadêmicos da Universidade Federal do Acre (Ufac) e grupos de estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac) e do ensino médio declararam apoio público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. As manifestações nas redes sociais se intensificaram nesta quarta-feira (7), três dias após o primeiro turno que levou Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) à disputa final.
Com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro somou 47,03% dos votos válidos e Lula obteve 45,16%, uma diferença de 2.224.965 votos. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. No Acre, o candidato do PL terminou o primeiro turno em primeiro lugar. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula entre os eleitores acreanos por 70,3% a 29,7%.

O Centro Acadêmico de Pedagogia (Capev), da gestão Vozes da Emancipação 2026/2027, publicou uma nota de posicionamento em quatro cartões. No texto, a entidade declara “repúdio e indignação ao projeto apresentado pelo candidato Flávio Bolsonaro” e reafirma apoio ao presidente Lula “na defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada”. Na legenda, o centro acadêmico afirma que o posicionamento “não se reduz a uma questão de partido” e que discutir eleições também significa discutir assistência estudantil, permanência, ciência e educação.
A principal crítica da nota recai sobre a proposta de Flávio para o ensino superior. O plano de governo do candidato prevê retirar as universidades federais da área do Ministério da Educação (MEC) e transferir a governança das instituições para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O documento justifica a mudança como forma de unificar ciência e ensino superior sob a mesma estrutura. Para o Capev, a medida “ameaça o financiamento, a assistência estudantil, a autonomia universitária e o caráter social da educação superior”.
O Centro Acadêmico de Letras-Português (Callep) também divulgou nota de posicionamento na noite de terça-feira (6), compartilhada pelo perfil do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufac. A atual gestão afirma que apoiar Lula significa apoiar “uma visão de Brasil que valoriza a universidade, a diversidade e a liberdade”. A entidade classifica a extrema-direita e o bolsonarismo como um dos maiores retrocessos da história recente do país e relaciona as mais de 700 mil mortes na pandemia ao que chama de negacionismo científico e atraso na compra de vacinas.
Fora dos centros acadêmicos, o perfil rubs.acre lançou a campanha “Estudantes Acreanos com Lula”. O grupo afirma reunir estudantes da Ufac, do Ifac e secundaristas que atuaram na campanha do presidente no primeiro turno, com o objetivo de “dialogar, mobilizar e ir atrás de cada voto”. A publicação convida estudantes a integrar a Frente em Defesa da Soberania, da Democracia e da Classe Trabalhadora no Acre.
As manifestações ocorrem em um cenário de forte polarização. O confronto entre Lula e o sobrenome Bolsonaro reedita a disputa entre os dois campos políticos que ocupam o centro da política brasileira desde 2018. Até o segundo turno, os dois candidatos buscam os votos de quem escolheu outros nomes no primeiro turno e de quem não compareceu às urnas, já que a abstenção ficou em torno de 21%, cerca de 33 milhões de eleitores.



