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Edvaldo Magalhães sai em defesa da democracia, repudia ataque ao jornalista Chico Melo e não descarta crime político

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) falou a respeito da violência sofrida pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzeiro do Sul, no último dia 22 de julho. O parlamentar disse que Chico Melo foi vítima de violência política por denunciar escândalos no governo da governadora Mailza Assis. A fala dele foi proferida hoje (4), na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

“Mas, por que cometeram essa agressão ao jornalista Chico Melo? Por que estava a rezar um terço no programa Jornal da Manhã, juntamente com o jornalista Rogério Wenceslau? Não. É porque a editoria daquela rádio resolveu abordar assuntos proibidos por gente do poder. Eles abriram o microfone da rádio para que a Melissa Sampaio pudesse falar da agressão sofrida, de violência dentro da própria casa. Eles abriram o microfone da rádio para falar sobre a mutreta armada para fazer os pagamentos da Expoacre Juruá, com os dados da empresa de passagem cuja a estrutura não consegue fazer um convênio de R$ 100 mil, imagine de milhões de reais. Eles abriram os microfones para falar sobre as dispensas de licitação, contratação direcionada e direta. Falaram tudo aquilo que se monitora para que não seja tratado: os chamados temas indesejáveis”, disse Edvaldo Magalhães.

Em outro trecho, o deputado disse que há quase 30 anos não se tinha registro no Acre de violência dessa natureza. Ele citou episódios semelhantes ocorridos contra jornalistas na época do chamado ‘Esquadrão da Morte’.

“Passavam mais de três décadas que um episódio dessa gravidade, desta envergadura não havia ocorrido. Pressões, contrapressões, vários instrumentos de intimidação ocorreram nessas últimas três, quatro décadas. Mas, a violência, a agressão, a ameaça à vida tinham cessado desde que as práticas do esquadrão da morte foram combatidas e derrotadas naquele período. Jornalistas tiveram que comer a própria lauda, de joelhos, dentro das redações porque estavam a divulgar os crimes daquela gente, daquela época”, pontuou.
O parlamentar afirmou, ainda, que quando um jornalista é atacado, toda a democracia é exposta à violência. “Quando a democracia, a liberdade de expressão começa a ser ameaçada com esse tipo de prática, esta tribuna não pode se calar. Esse espaço aqui não pode se omitir, porque senão todos seremos coniventes com a violência política, com a intimidação e com a ameaça ao sumiço da vida. Em Cruzeiro do Sul, todos àqueles morros, cantinhos dos mercados, quintais, sabem quem são os envolvidos na encomenda, quais foram as motivações da encomenda. Eu sou de um tempo que não se deve se intimidar para fazer o bom combate. Eu sou de um tempo que aprendi muito com esse parlamento. Eu trato, eu médio, eu recuo de posições, agora eu não tergiverso, eu não tolero a esse tipo de intimidação, seja do poder de onde vier”.