O ex-governador Gladson Camelí já pagou R$ 1.785.791,92 em despesas de campanha para disputar uma vaga no Senado Federal, conforme os dados da prestação de contas eleitoral atualizados em 12 de setembro de 2026. Apesar de o registro de candidatura ter sido indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), o nome e a foto do candidato estão disponíveis no sistema eleitoral, na condição de “consta da urna”.
A prestação de contas registra ainda R$ 2.081.531,92 em despesas contratadas e R$ 3.330.010,00 em recursos recebidos. Do total arrecadado, R$ 3.030.000,00 são identificados como doações do partido, enquanto R$ 300.010,00 correspondem a doações de pessoas físicas.
Principais despesas da campanha
Entre os gastos registrados, a maior concentração está na contratação de serviços de publicidade por materiais impressos, que soma R$ 833.072,00, distribuídos em 25 lançamentos.
A segunda maior despesa é a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, com R$ 648.664,02 em dois lançamentos. Na sequência, aparecem as atividades de militância e mobilização de rua, que totalizam R$ 407.673,00 em 168 lançamentos.
Também foram registrados gastos de R$ 75 mil com cessão ou locação de veículos e R$ 60 mil com impulsionamento de conteúdos.
Na relação de doadores, a Direção Nacional do Progressistas (PP) aparece com o maior valor, de R$ 3.030.000,00, seguida pelo pai dele Eladio Messias Camelí, com R$ 300 mil, e Dulcineia Vaz da Silva, com R$ 10,00.
Nome na urna
No sistema de candidatos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gladson aparece com a situação “consta da urna”, que significa que o nome e a foto estão previstos para aparecer na votação. Ao mesmo tempo, o registro consta como “indeferido em prazo recursal ou com recurso”.
A manutenção do nome na urna não representa o deferimento definitivo da candidatura. Conforme o TRE-AC, candidatos com registro indeferido, mas que ainda podem recorrer, permanecem sub judice e podem continuar realizando atos de campanha enquanto não houver decisão definitiva. A legislação também prevê a manutenção do nome na urna durante esse período.
TRE-AC indeferiu candidatura e defesa apresentou recurso
No dia 11 de setembro, o TRE-AC indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Gladson Camelí ao Senado. A decisão foi tomada após o julgamento de uma ação de impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral, fundamentada em uma condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Gladson foi condenado a 25 anos e 9 meses de reclusão pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O TRE-AC entendeu que a condenação por órgão colegiado configura causa de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
Após o julgamento, a defesa afirmou que avaliaria os fundamentos da decisão para definir os próximos recursos, incluindo a possibilidade de levar a discussão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministério Público Eleitoral defende manutenção do indeferimento
Nesta quinta-feira, 17 de setembro, a Procuradoria Regional Eleitoral no Acre se manifestou sobre os embargos de declaração apresentados pela defesa de Gladson contra o acórdão do TRE-AC.
O Ministério Público Eleitoral pediu que o recurso fosse acolhido parcialmente apenas para corrigir um erro material na numeração de um habeas corpus citado na decisão. A Procuradoria rejeitou os demais argumentos apresentados pela defesa e defendeu a manutenção do indeferimento do registro de candidatura.
Segundo a manifestação, a condenação do STJ permanece válida e eficaz enquanto não houver decisão judicial competente que suspenda, modifique ou desconstitua seus efeitos. O documento também afirma que um pedido cautelar apresentado pela defesa não produz, por si só, efeito suspensivo sobre a inelegibilidade.
O processo ainda pode ter novos desdobramentos nas instâncias superiores, e a situação definitiva da candidatura dependerá das próximas decisões judiciais.



