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Mulher tem braços amputados após acidente e família denuncia demora no socorro

Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, teve os dois braços amputados após um grave acidente ocorrido na sexta-feira (7), no Ramal do Icuriã, na zona rural de Assis Brasil, no interior do Acre. A família denuncia demora no resgate, espera por ambulância e uma sequência de transferências entre unidades de saúde até que a paciente chegasse ao Pronto-Socorro de Rio Branco.

Segundo a irmã da vítima, Arquilene Santos, Maria Conceição estava em uma caçamba que seguia para a zona rural quando o veículo tombou. Após o acidente, ela ficou presa e permaneceu no local por cerca de três horas à espera do resgate.

Depois de ser retirada do veículo, Maria Conceição foi encaminhada para o hospital de Assis Brasil. De acordo com a família, porém, mesmo diante da gravidade do quadro, houve uma nova demora para conseguir uma ambulância para a transferência da paciente.

Maria Conceição permaneceu na unidade de Assis Brasil até ser transferida no sábado (8). Arquilene afirma que a ambulância só foi disponibilizada depois que outras pessoas intervieram para ajudar a família.

“É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora. A ambulância só veio porque teve pessoas que interferiram. Se não tivesse alguém interferindo, nós não teríamos conseguido uma ambulância”, relata.

A paciente não foi encaminhada diretamente para Rio Branco. Antes de chegar à capital, passou por uma unidade de saúde em Brasiléia. Segundo Arquilene, a mudança de hospital fez com que Maria Conceição precisasse ser novamente estabilizada antes de seguir viagem. “Eles tinham que estabilizar minha irmã e mandar direto para Rio Branco. Chegou em Brasiléia, tiveram que estabilizar de novo para poder mandar”, diz.

A família questiona se a demora no atendimento e nas transferências teve influência no agravamento do quadro que levou à amputação dos braços. Até o momento, contudo, não há informação médica que permita estabelecer essa relação de causa e efeito.

Para Arquilene, o episódio também expõe um problema mais amplo no atendimento de urgência e emergência de Assis Brasil. Ela afirma que a falta de ambulâncias já teria sido motivo de reclamação de outros moradores. “Não é a primeira vez. Muita gente está reclamando desse hospital porque a gente chega em uma emergência, em uma urgência, e não tem uma ambulância”, afirma.

O ac24horas procurou a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) para saber sobre o atendimento prestado à paciente, a disponibilidade de ambulância em Assis Brasil, o tempo de espera para a transferência e o encaminhamento entre Assis Brasil, Brasiléia e Rio Branco.

A assessoria informou que havia solicitado esclarecimentos à gestão e aguardava uma resposta.

Até a publicação desta reportagem, a Sesacre não havia apresentado esclarecimentos sobre a demora no atendimento, a disponibilidade da ambulância ou os procedimentos adotados durante a transferência da paciente.