O lançamento da campanha Agosto Lilás 2026, realizado nesta segunda-feira (3), pela prefeitura de Cruzeiro do Sul por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres, foi marcado por emoção, relatos de superação e um forte chamado para que mulheres vítimas de violência doméstica. A ação ocorreu no Museu José de Alencar.
A programação abre um mês inteiro de ações de conscientização e celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um marco na defesa dos direitos das mulheres brasileiras.
A coordenadora pedagógica Luciene Fonseca da Silva,revelou ter sobrevivido a quase nove anos de um relacionamento abusivo.
“Eu vim para mostrar que nunca é tarde para romper o silêncio e acreditar que a gente pode superar e que não deve ficar presa o resto da vida em um mundo de violência. Somos fortes e não devemos nos calar. Devemos romper esse silêncio e denunciar, porque só assim podemos seguir em frente. Passei por todos os tipos de agressões: verbais, físicas, patrimoniais e psicológicas. Tudo o que vocês podem imaginar, eu passei”.
Hoje, segundo ela, a realidade é completamente diferente. “Hoje eu vivo totalmente diferente. Não permito que ninguém fale nem mais alto comigo. Eu sei do meu valor, sei quem eu sou e não deixo que ninguém me diminua nunca mais”.

A coordenadora do Departamento Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Lúcia Costa, destacou que o Agosto Lilás busca envolver toda a sociedade na luta contra a violência.
“Neste ano em que celebramos os 20 anos da Lei Maria da Penha, reforçamos o compromisso de conscientizar, orientar e mobilizar a população no enfrentamento à violência contra a mulher. Convidamos toda a comunidade para participar das atividades que serão realizadas ao longo do mês. O prefeito Zequinha Lima tem apoiado e fortalecido as políticas públicas voltadas às mulheres, garantindo ações que promovam proteção, acolhimento e mais dignidade para quem precisa”.

Representando a Defensoria Pública do Acre ,o defensor Rodrigo Lobão,alertou que muitos casos ainda permanecem escondidos por medo ou vergonha das vítimas.
“O que acontecia muito, e ainda acontece hoje, é a chamada cifra negra, que são os casos de violência que não chegam ao conhecimento da segurança pública e do sistema de Justiça. Essa informação é primordial para que as mulheres procurem o Ministério Público, a Defensoria Pública ou a delegacia e possam ser protegidas pela Lei Maria da Penha e pelas medidas protetivas”.

A segunda-sargento Maria Pinheiro, da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, afirmou que o aumento das denúncias é resultado da maior conscientização das mulheres sobre seus direitos.
“Eu creio que não aumentou a violência. O que tem acontecido é que as mulheres estão mais informadas. Elas já procuram a delegacia para pedir medida protetiva quando sofrem violência psicológica, moral ou ameaças. Elas não esperam mais o primeiro soco para buscar ajuda. A Patrulha vai até a residência, visita essa mulher, pergunta se o agressor está procurando ou ameaçando. Se encontramos esse homem descumprindo a medida protetiva, ele é conduzido à delegacia. Nosso trabalho é fazer com que essas mulheres se sintam realmente protegidas”.

A coordenadora do Centro de Referência da Mulher Brasileira do Juruá, Anny Monteiro, ressaltou que o trabalho de enfrentamento à violência acontece durante todo o ano e será intensificado ao longo de agosto.”Nós vamos potencializar as ações através de palestras nas escolas, nos órgãos públicos e nas empresas privadas, levando informação para que as mulheres consigam romper o ciclo da violência doméstica. Hoje trabalhamos com o canal de denúncia anônima, que é o 180. Conhece uma vítima de violência doméstica e quer ajudar? Faça a denúncia. A Casa da Mulher Brasileira está de portas abertas para receber todas as mulheres”, concluiu.



