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Em gesto de solidariedade, maternidade consola mãe que perdeu bebê, com cartinha

Em um gesto de carinho, os funcionários da marternidade de Cruzeiro do Sul realizaram a escrita de uma cartinha consolando uma mãe que perdeu seu bebê.

Nossa equipe conversou com Eliana Farias, coordenadora de enfermagem da unidade neonatal, e a coordenadora disse ser uma sensação horrível dar esse tipo de notícia para uma mãe.

“É a pior sensação do mundo falar para os pais de um bebê que ele faleceu. Eu já trabalhei em algumas UTIs adulto, mas nada se compara a isso. Dizer para uma mãe que ela não vai poder levar seu filho para casa, é de rasgar o coração. Eu já trabalho na UTI neonatal há quase 04 anos e ainda não me acostumei com isso”.

Segundo Eliana, a equipe toda se comove e chora, pois para eles, é diferente não conseguir trazer de volta um bebê. “Eu costumo dizer que quando um bebê adoece, toda família adoece junto, porque é um ser humano indefeso, que todos tentam cuidar, mas chega uma hora que não conseguem e foge do controle”, disse, e continuou, “ontem, quando demos a notícia do falecimento para essa mãe, parecia que o mundo tinha acabado para ela. Era 01:30 da manhã e ela desesperada saiu correndo pela maternidade gritando inconformada e chorando. Ela segurou no colo o corpo do bebê até as 04 da manhã. E a nossa equipe respeitou esse espaço dela, fez tudo para que ela se sentisse acolhida. Mas sentimos a dor dela, não tinha como”.

A coordenadora disse ter entrado no plantão as 07 horas da manhã do dia 16 e sair às 07:20 do dia 17. Disse não ter descansado nenhum minuto, pois o plantão teria sido muito conturbado.

“Se parasse ia ficar algo pendente que poderia custar a vida de um bebê, então continuei. Depois do falecimento desse bebê da carta, continuei acordada do lado da mãe, tinha a sensação de que ela precisava do meu apoio, ali do lado dela”, declarou.

“Essas cartinhas que fazemos, são uma forma de entregar um pedacinho do bebê para os pais. Alguns se sentem culpados pela morte, mesmo não sendo, acham que não aproveitaram o tempo que tiveram, e isso gera ainda mais sofrimento para eles. É importante que eles saibam que amaram e cuidaram da melhor maneira possível e que fiquem em paz após a partida desse bebê. A cartinha tem esse objetivo”, disse Eliana e completou, “começamos a fazer com folhas em branco normais, e depois organizamos e fizemos esse papel carta que é mais delicado. A própria equipe de enfermagem e a nossa fonoaudióloga Gisely Sampaio que tiveram a iniciativa de fazer e organizar isso”.