Deputado Roberto Duarte elogia governo e servidores gritam “virou à casaca” e “bundão”

O deputado estadual Roberto Duarte (MDB) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para elogiar o governador Gladson Cameli por ter aberto o diálogo com os sindicatos e servidores públicos que se mostram contra a reforma previdenciária apresentada na última terça-feira, dia 05, pelo Palácio Rio Branco.

Os trabalhadores que ocupam desde a quarta-feira, dia 06, o hall da Casa, não “engoliram” a fala do parlamentar e começaram a gritar, em alto e bom tom, que o deputado “virou à casaca”, como forma de expressar que o parlamentar estava de um lado, mas mudou de opinião após conversas internas com o Palácio. Eles também chamaram Duarte de “bundão”.

“Ela é necessária, sempre disse isso. Mas precisa dialogar, precisa se acertar, e encontrar o melhor caminho. O governador Gladson Cameli hoje deu um passo grande: abriu para o diálogo. [o governador] Queria votar, queria aprovar essa matéria na terça-feira, presidente. Agora, vamos levar para o diálogo, à exaustão, para buscar o melhor caminho”, discursou o deputado.

Ainda segundo Roberto Duarte, já existe oito propostas de emenda à proposta do governo desde que as matérias foram apresentadas na Aleac. “Eu sempre defendi a reforma, e minha opinião sempre foi externada aos pares [deputados], sempre foi pública. De terça para quarta eu não dormi, só lendo as propostas. Dá para melhorar o que se é contra? Dá! Dá para conversar?”, completou.

O deputado Gehlen Diniz, líder do governo na Aleac, destacou que o problema da previdência estadual é antigo, e vai além de saques realizados por governos anteriores. Diniz lembrou que outro problema que agravou o cenário foi a legislação que equiparou salários de professores que antes só tinha o magistério aos de nível superior.

“Boa parte dos professores formados nesse momento, quando pegou o nível superior, muitos no mês seguinte já pediram a aposentadoria. Não podemos atribuir esse problema a apenas um governador. Por mais de uma década, pegaram o dinheiro da previdência que era descontado do trabalhador e passaram direto para o Tesouro”, conclui.

  • Por João Renato Jácome.