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Alan Rick diz ser “inadmissível” pedir autorização de facção para entrar em bairro

O senador e candidato ao governo do Acre Alan Rick (Progressistas) afirmou que pretende criar, já no primeiro dia de uma eventual gestão, um gabinete estadual de enfrentamento ao crime organizado. Durante entrevista nesta sexta-feira, 11, à Rádio Gazeta FM 93.3, o candidato criticou a atuação do poder público na área de segurança e classificou como “inadmissível” a existência de situações em que moradores precisariam de autorização de facções para entrar em determinados bairros.

A proposta apresentada por Alan Rick prevê a participação integrada das polícias Civil, Militar e Penal, além da Procuradoria-Geral do Estado, em articulação com o Ministério Público do Estado e o Tribunal de Justiça. Segundo ele, a estrutura teria como objetivo coordenar ações de enfrentamento à criminalidade no Acre.

Gabinete contra o crime organizado

Ao ser questionado sobre a estratégia para combater facções criminosas e enfrentar os desafios relacionados à segurança pública e à fronteira, Alan Rick afirmou que a primeira medida seria criar uma estrutura específica para coordenar as ações das instituições.

“Primeiro dia de governo, nós vamos criar o gabinete estadual de enfrentamento ao crime organizado. Com a polícia civil, que deve ser reestruturada, a polícia penal, polícia militar, a nossa Procuradoria Geral do Estado e em diálogo com o Ministério Público do Estado e Tribunal de Justiça”, afirmou.

O candidato também fez críticas à atual política de segurança pública e disse que pretende colocar o enfrentamento ao crime como uma das prioridades da administração.

“Nós vamos fazer o enfrentamento à criminalidade do Acre. O atual governo não fez. É inadmissível você ter que pedir autorização de facção para entrar no bairro. Ter delegacia com a sigla da facção pichada no muro. Não dá, gente. O Acre hoje, a população clama por segurança. E nós precisamos fazer o enfrentamento. Isso é uma grande realidade. O Acre terá um governador que vai fazer a segurança funcionar”, declarou.

Polícia Civil e perícia

Entre as medidas anunciadas, Alan Rick citou a reestruturação da Polícia Civil, que ele também chamou de polícia judiciária. O candidato afirmou que a perícia técnica precisa ser fortalecida para dar melhores condições às investigações policiais.

“Primeiro, nós vamos reestruturar a nossa Polícia Civil, a polícia judiciária. A polícia judiciária não tem uma perícia técnica capacitada hoje com equipamentos para poder fazer as investigações. Estruturar e valorizar o profissional”, afirmou.

Ele relacionou a estrutura da perícia ao andamento dos inquéritos policiais e à continuidade dos processos na Justiça. “Com a perícia técnica defasada, como é que o inquérito policial vai dar condições para a devida persecução penal? Não dá”, disse.

Delegacias com funcionamento 24 horas

Outra proposta apresentada pelo candidato é ampliar o horário de atendimento das delegacias. Alan Rick afirmou que pretende manter unidades estratégicas funcionando durante as 24 horas e criticou o encerramento do atendimento em algumas delegacias no período da tarde.

“O Estado precisa ter uma política de segurança efetiva. Policiais voltarão a ir pra rua. Nós resgataremos o policiamento comunitário. Nós teremos delegacias estratégicas funcionando 24 horas por dia. Porque hoje as delegacias fecham às 14 horas. Se acontecer um crime contra você, Andrade, às 15 horas, às 16 horas tu só pode fazer o boletim de ocorrência no outro dia. Nós vamos acabar com isso”, disse.

Críticas às condições das delegacias

Alan Rick também criticou as condições físicas de unidades policiais do estado. O candidato citou especificamente a delegacia localizada na região da Sobral, em Rio Branco, e afirmou que o prédio apresenta problemas estruturais.

“Tu já foi na delegacia da Sobral? Naquela DP? Está caindo aos pedaços. Caindo podre. O teto caindo, as paredes caindo. É o descaso, né? Como é que o policial consegue trabalhar no lugar daquele?”, questionou.

O candidato também mencionou o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Santa Rosa do Purus, onde afirmou ter estado, destacando as condições de trabalho dos policiais civis e militares que atuam no município.

Alan Rick citou ainda recursos destinados por meio de emendas parlamentares para estruturas de segurança no interior.

Sistema prisional

O plano apresentado pelo candidato também inclui mudanças no sistema prisional do Acre. Alan Rick afirmou que pretende reorganizar a Polícia Penal, construir uma nova cadeia pública e reestruturar o sistema penitenciário.

“Vamos organizar a nossa Polícia Penal, nós vamos fazer o enfrentamento desse grave problema que é o sistema prisional do Acre, que é absolutamente defasado. É o mais hoje, proporcionalmente, o maior do Brasil. Nós temos a maior população de tornozeleira eletrônica do Brasil. Vocês não sabiam disso, mas são dados oficiais”, afirmou.

Alan Rick também apontou, durante a entrevista, a falta de uma cadeia pública para determinadas situações de cumprimento de prisão e criticou as condições do sistema de regime semiaberto.

“E nós não temos uma cadeia pública para o cumprimento, por exemplo, da medida da prisão. O semiaberto não funciona hoje. É totalmente aberto, porque não tem uma cadeia pública”, declarou.

O candidato também relatou uma visita ao presídio Francisco de Oliveira Conde e afirmou ter acompanhado de perto as condições de trabalho dos policiais penais.

Na sequência, apresentou a proposta de construção de uma nova unidade e de reestruturação do sistema.

“Nós vamos construir uma nova cadeia pública. Nós vamos reestruturar o sistema prisional, vamos dialogar com a nossa Polícia Penal, que está aí abandonada por esse governo”, declarou.

Alan Rick também criticou a situação de jovens que fizeram concurso para a Polícia Penal, participaram do curso de formação e, segundo ele, não foram chamados para assumir os cargos.

“Enganaram jovens que abandonaram seus empregos para fazer o concurso e depois tiveram o curso de formação e não foram chamados. A Polícia Penal foi abandonada e o nosso governo vai valorizar a nossa Polícia Penal”, afirmou.

Melhoria gradual das condições de trabalho

Apesar de apresentar uma série de propostas para a segurança, o candidato afirmou que as mudanças não seriam realizadas integralmente no primeiro ano de governo. Segundo ele, a reorganização das contas e a melhoria das condições das categorias ocorreriam de forma gradual ao longo do mandato.

“Também digo, não vamos fazer tudo no primeiro ano, durante quatro anos nós vamos, aos pouquinhos, gradativamente melhorando as condições de trabalho, de vida e salarial dos planos de carreira de cada uma dessas categorias”, disse.