Nem berrante, nem peões em trechos longos conduzindo a boiada. A rotina do pequeno pecuarista do Acre, muitas vezes, é ruminada dentro de um batelão, guiada pelo barulho do motor.
Ali, entre um extremo ao outro do barco, o sonho de se tornar um grande pecuarista, com caminhonete do ano e feiras agropecuárias com artistas famosos e leilões caros, vai sendo embalado pela monotonia da água barrenta. Pendurado, o radinho, agora recarregado na energia elétrica e feito na China, traz as canções de sempre.
No rancho para sustentar a fome do corpo, regado a calabresa, arroz, feijão e uma cachacinha para abrir o apetite, o pecuarista vai servindo também a bezerrada com uma silagem acomodada em sacos azuis grossos para suportar calor e chuva. Muita chuva ao longo do Purus. “É para aguentar o repucho de três dias descendo esse riozão danado”, diz.
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Na ponta do lápis, as contas que faz são bem diferentes do que as que têm sido ditas. “Deu uma descompensada depois dessa discussão aí de vocês”, afirma, referindo-se ao debate sobre a “pauta do boi”.
O comerciante de gado confirma. “Comprei bezerro há duas semanas. O quilo estava a onze reais. Hoje, após a discussão e o aumento da pauta, os bezerros estão sendo oferecidos a nove reais o quilo e as compras estão lentas. Um bezerro de desmama pesa, em média, um tanto de cento e oitenta quilos. Multiplicado a nove reais o quilo, vai dá 1.620″, conta.
Para eles, tudo é parte de uma grande trama para fazer o preço da arroba cair ainda mais. Essa é a percepção do pequeno pecuarista do Acre e do comerciante que faz a mediação entre o gado que se produz nas áreas mais distantes e é trazida à cidade mais próxima. No geral, é o que pensa o pecuarista que tem até cem cabeças de gado na propriedade sem documentação e quase sempre com alguma restrição de ordem ambiental.





