É tempo de empate – Artigo de Alexandre Nunes Nobre

É revolução! 6 de agosto de 1902 a Revolução Acreana comandada por Plácido de Castro buscava tornar independente o território do Acre. 116 anos depois, além do desejo de tornar um lugar digno, respeitado e com cidadania plena o que nos une nos dias atuais?

E se pudéssemos pensar com a cabeça deles? Fiz esses questionamentos ao professor e historiador Marcos Vinicius Neves que foi categórico: ¨Hoje os desafios são muito diferentes, mas pensando naquela época e nessa perspectiva podemos dizer que nesse tempo todo o Acre se tornou mais parecido com o Brasil. O que não é lá uma boa perspectiva. E que Bolívia e Peru continuam não sendo parte de nossas vidas e não devia ser assim.”

Marcos faz uma reflexão mais profunda. ¨Infelizmente a desigualdade ainda é gigantesca e as famílias poderosas continuam mantendo a voz e o poder. Mas isso não é privilégio do Acre, mas do Brasil.”

Sabemos que nenhuma luta faz sentido sem compromisso com o coletivo e respeito às diferenças. Conseguir enxergar isso não é fácil, como dissimular tais sentimentos, não se sustenta e levará a derrota qualquer um.

Esperar pra ver, não é característica do povo do Acre pois lutamos pelo direito de sermos brasileiros. Entre tantos ensinamentos os ribeirinhos, os indígenas, os seringueira e os povos da florestas formaram nosso caráter na luta, que é diária.

Nos anos 70 uma ação planejada, coordenada e executada pelos seringueiros, uniam toda a comunidade: homens, mulheres e crianças que juntos faziam uma parede humana para evitar a derrubada e queimada da floresta.

Estamos em tempo de EMPATE e hora de reflexão. O chamado é para uma nova ¨revolução¨, não podemos regredir e trocar nossa luta de transformações e conquistas coletivas, por aventura e projeto pessoal do ¨poder pelo poder.¨

A história recente nos mostra outro exemplo: a retomada política, econômica e social. Vivemos um novo Acre.

A produção familiar, os pequenos empreendimentos e a educação por meio da alfabetização de adultos e formação técnica ganharam atenção e investimentos no governo do Tião Viana. E a política de distribuição de renda, com o fomento e fortalecendo a parceria da iniciativa público, privada e comunitária é uma iniciativa revolucionária.

Sigamos atentos. Muito foi feito, mas não o suficiente. Continuemos na luta!

Artigo de Alexandre Nunes Nobre