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Trump diz que Putin não atacará a Otan após encontro de chefes da CIA e SVR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (27/8) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não atacará o território de países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Ele não vai atacar a Otan”, disse Trump.

A declaração ocorre em meio à preocupação de autoridades europeias e americanas com ações russas de sabotagem e operações de “zona cinzenta” no continente.

Mais cedo, em entrevista por telefone à Axios, o presidente também descartou a possibilidade de um ataque russo contra a aliança e afirmou que o diretor da CIA, John Ratcliffe, não teria sido enviado a Moscou para transmitir uma mensagem específica ao líder do Kremlin.

O esclarecimento do republicano ocorre em um momento de intensificação do monitoramento ocidental sobre as atividades russas na Europa. Serviços de inteligência dos Estados Unidos e de países europeus acompanham há anos episódios de sabotagem e outras operações atribuídas a Moscou que permanecem abaixo do limiar de um conflito militar aberto.

Essas ações, classificadas como operações de “zona cinzenta”, podem envolver sabotagem, espionagem e outras formas de pressão destinadas a explorar vulnerabilidades e enfraquecer a coesão dos países da Otan. Também têm sido analisadas no contexto do apoio militar e político dos aliados europeus à Ucrânia.

Chefes da CIA e da inteligência russa em Moscou

Sergei Naryshkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR), confirmou nesta quinta ter se reunido com John Ratcliffe, diretor da CIA, em Moscou, no início desta semana.

Segundo Naryshkin, os dois tiveram uma “reunião de trabalho” e discutiram assuntos confidenciais relacionados às áreas de atuação de seus respectivos serviços. O chefe do SVR afirmou que encontros desse tipo não são necessariamente incomuns entre autoridades de inteligência.

A reunião ocorre em um cenário de tensão nas relações entre Washington e Moscou, enquanto a guerra na Ucrânia continua e o governo Trump tenta conduzir negociações para encerrar o conflito.

Apesar da confirmação do encontro, não há indicação pública de que Ratcliffe tenha levado a Moscou uma mensagem específica sobre um eventual ataque russo contra a Otan.

Trump afirmou justamente o contrário ao ser questionado sobre o assunto.

Operações russas preocupam países europeus

A garantia pública de Trump contrasta com a preocupação manifestada por autoridades de inteligência ocidentais sobre as atividades russas no continente europeu.

Nos últimos anos, governos europeus passaram a denunciar episódios de sabotagem, ataques cibernéticos, espionagem e outras ações atribuídas à Rússia. Embora essas operações não representem, necessariamente, um ataque militar convencional contra um país da Otan, autoridades avaliam que elas podem testar a capacidade de resposta e a unidade da aliança.

O conceito de “zona cinzenta” é utilizado para descrever justamente esse tipo de atuação: ações hostis que permanecem abaixo do nível de uma guerra declarada, mas que podem produzir efeitos estratégicos e políticos.