Luiz Gonzaga fará palestra em defesa da ligação rodoviária do Juruá com o Peru

Deputado vai anunciar que os peruanos têm interesse na obra e que o presidente Jair Bolsonaro já disse que quer fazê-la, segundo disse o senador Márcio Bittar

Mais de cem anos depois de o Marechal Thaumaturgo de Azevedo escorraçar os peruanos que queriam se apossar do território onde hoje se localiza a região do Juruá, eles estão mais próximos do que nunca e de novo interessados em ocupar esta parte do Brasil. Só que desta vez, sem armas ou tiros – tudo na base de acordos bilaterais, bem diferente dos tempos em que entraram furtivamente pela floresta, através dos rios, e tentaram fundar uma cidade na chamada Boca do Moa, no encontro com o Juruá, onde se localiza o município de Marechal Thaumaturgo, nome dado em homenagem àquele grande brasileiro.

Não fosse a pronta intervenção do Marechal, a cidade peruana no Juruá teria sido fundada com o nome de Nueva Iquito e possivelmente Cruzeiro do Sul e toda região hoje pertenceria ao Peru. Mas, mais de cem anos depois, o Brasil também está com os olhos voltados para o Peru, muito além da Cordilheira que divide o Juruá do Altiplano. Só que, agora, o interesse é comum.

Este deverá ser o resumo de uma palestra a ser feita dia 31, sábado, dentro da programação da Expojuruá, pelo deputado estadual Luiz Gonzaga (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa e um dos entusiastas das relações entre Brasil e Peru através do Vale do Juruá, com conexão rodoviária entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, cidade do território peruano que está a pouco mais de 150 quilômetros de Mâncio Lima, por dentro da floresta da Serra do Divisor. Defensores da ideia, como o senador Márcio Bittar (MDB-AC), dizem que a Serra não seria empecilho nenhum a obra porque é nesta região o ponto mais baixo da Cordilheira. “Nada que a engenharia não consiga resolver”, defende Márcio Bittar, com o que Luiz Gonzaga e o vice-governador Wherles Rocha, outro defensor da ideia, também concorda.

Luiz Gonzaga vai falar para uma plateia de representantes do Imac (Instituto de Meio Ambiente do Acre), Deracre (Departamento de estradas e Rodagens do acre), DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), além de outros órgãos federais e estaduais. Os dirigentes desses órgãos devem falar sobre os impactos ambientais causados pela futura obra.

O deputado Luiz Gonzaga se fez acompanhar do vice-governador Wherles Rocha em recente viagem ao Peru e, durante a visita, disse ter constatado a viabilidade da obra e o interesse dos peruanos em manter intercâmbio comercial e cultural com o Brasil através de Cruzeiro do sul e do vale do Juruá. “Nós precisamos debater melhor esse assunto, o momento é bastante propício para isso já que o presidente Bolsonaro tem interesse nessa integração e o governador Gladson Cameli também”, enfatizou em recente entrevista sobre o tema.

Outro defensor da proposta é Márcio Bittar, que, a propósito, já trouxe ao Juruá, em maio deste ano, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para debater com prefeitos e outras lideranças locais, inclusive indígenas, os impactos da futura obra. De acordo com o senador, o presidente Jair Bolsonaro já sinalizou que tem interesse na obra e as autoridades peruanas, também. “Os peruanos, principalmente o seu embaixador no Brasil, se entusiasmam quando a possibilidade de esta vir acontecer”, disse Márcio Bittar, em recente entrevista ao Juruá Em Tempo. “É bom que os acreanos, principalmente os do Juruá, se preparem para obra, porque ela está muito perto de se concretizar”, disse.

A construção da estrada deverá ser um dos assuntos a serem debatidos em Rio Branco, possivelmente no próximo mês de novembro, durante um futuro encontro do presidente Jair Bolsonaro com o presidente do ou Bittar.