O presidente Lula indicou dois ministros para o Supremo Tribunal Federal neste mandato e tem relação próxima com outros dois (Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes), mas o ministro em quem ele mais confia para se manter atualizado e trocar impressões sobre os desdobramentos da guerra fratricida no STF, aprofundada com o escândalo do Banco Master, é Cristiano Zanin, que foi seu advogado pessoal.
O estilo de Zanin, considerado mais sóbrio e discreto em contraste à postura verborrágica de Gilmar e de Flávio Dino, tem agradado ao presidente da República, que conta com a boa vontade do Supremo para manter a governabilidade, mas que também tem visto a crise na Corte respingar na sua difícil campanha à reeleição.
As diferenças de estilo ficaram escancaradas na tumultuada sessão de julgamento de 15 de setembro, quando Gilmar e Dino lideraram a tropa de choque em defesa de Alexandre de Moraes, enquanto Zanin fez intervenções pontuais, sem atacar os colegas nem elevar o tom da voz.
Embora não admitam em público, aliados de Lula também veem com suspeita as movimentações de Dino, ainda que ele, assim como Zanin, tenha sido indicado pelo petista neste terceiro mandato. “Dino é um ególatra, que só pensa em si. Apesar de ajudar o governo, ele tem um projeto próprio”, disse ao blog uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores.
Em 2024, Dino sugeriu que poderia voltar a disputar cargos eletivos depois que completar 75 anos e for obrigado a deixar o Supremo, o que está previsto para ocorrer só em 2043.
Agora, na condição de ministro, Zanin também tem proferido votos e dado decisões alinhadas aos interesses do Palácio do Planalto.
A última delas foi negar um pedido de liminar para determinar a instalação da CPI do Banco Master.
Na prática, a negativa de Zanin não só impede a abertura de uma nova frente de investigação contra integrantes do Supremo e lideranças de diferentes matizes políticos, mas também contraria uma jurisprudência consolidada da própria Corte há mais de 20 anos.



