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Por Redação Juruá em Tempo.27 de novembro de 2019Updated:27 de novembro de 20194 Minutos de Leitura
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O confronto entre facções voltou aos dias de ápice do Acre, ironicamente isso acontece dias depois do governo se arrogar de ter suspostamente diminuído os índices de violência. Além das mortes no estilo execução ocorridas em Rio Branco, que passam de 10 apenas nos últimos 15 dias, há ainda um tipo de ação mais firme por conta de uma das facções, o Comando Vermelho (CV), que comemorou com fogos a tomada de territórios estratégicos para o tráfico de armas e drogas: o objetivo do grupo que tem braços por todo o país.

A tomada de Cruzeiro do Sul pelo Comando Vermelho aconteceu com direito à queima de fogos sincronizados e desespero daqueles que pertecem a outras facções. Completamente alheios às medidas de segurança anunciadas com ‘pompa e circunstância’ pelo governo do Acre, a tomada de Cruzeiro pelo CV aconteceu 3 dias depois da visita do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que esteve naquela cidade no dia 18 para lançar o Programa Vigia, que é da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça, que é justamente um sistema de monitoramento das fronteiras internacionais nos estados, que busca blindar a entrada de armas, drogas e produtos contrabandeados pelas fronteiras.

Na fronteira com o Peru, Cruzeiro do Sul possui rotas de tráfico e desmatamento. Para combater esses crimes, os agentes de segurança precisariam empreender esforços em toda área de fronteira ações fluviais, terrestres e aeromóveis.

Naquela região existem locais estratégicos, segundo levantamento feito pela Polícia Federal, em 2014, durante a execução da Operação Ágata, sendo eles no Rio Môa, próximo ao destacamento de São Salvador, no Rio Amônia, próximo ao município de Marechal Thaumaturgo (AC) e na confluência entre os Rios Juruá e Paraná dos Mouras. São estas as rotas preciosas para a facção que tomou a localidade.

A tomada da região de Cruzeiro do Sul pelo Comando Vermelho significa o aniquilamento de rivais e as únicas chances de sobrevivência destes é aderir à facção que tomou o local ou se converter a uma igreja evangélica. Para os que se recusam resta apenas a execução que na maioria das vezes é cruel, como aconteceu coo rio-branquense Rafael Alves da Silva, 28 anos, que foi decaptado na última terça-feira no bairro Calafate.

Além das mortes violentas, Cruzeiro do Sul tem outra peculiaridade que é o desaparecimento de pessoas, a maioria reeducandos que supostamente integram o crime organizado. Somente em 2019 já são mais de 10 pessoas desaparecidas em Cruzeiro do Sul que sumiram misteriosamente sem deixar o menor vestígio.

A tomada de territórios por esses dias parece ser parte da estratégia do Comando Vermelho, que também anunciou através do que eles chamam de “salve” a tomada de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Guajará, Porto Walter, Ipixuna, Taumaturgo e adjacências.

O mesmo tipo de “tomada” de território aconteceu em Tarauacá na segunda-feira (25) quando o Comando Vermelho anunciou por meio de um vídeo a tomada da cidade que fica no interior do Acre. No anúncio que circula nas redes sociais os integrantes da facção aparecem fortemente armados e fazendo ameaças. Logo após o vídeo houve uma corrida às igrejas de membros de outras facções buscando a conversão para fugir da ira dos inimigos.

Em Rio Branco é visível o aumento da onda de assaltos e execuções. Um homem ainda não identificado foi morto a tiros, na noite desta segunda-feira (25), no Beco do Areal, no bairro Santa Inês, em Rio Branco. Ele seria membro da facção Bonde dos 13 e foi morto por membros do Comando Vermelho que invadiram o bairro.

O empresário Paulino Caruta usou o Facebook para apelar ao governador por ajuda alegando que não aguenta mais seu posto de gasolina ser assaltado. O empresário afirmou que os frentistas estão preferindo se demitir do que correr risco de morte.

A reportagem entrou em contato com o secretário de Segurança, Paulo Cézar, que afirmou que já foi pedida a prisão de todos os supostos criminosos que se apresentaram por meio de vídeos ou mensagens.

“Aqueles que se apresentaram afirmando autopertencer a organização criminosa nós já representamos pela prisão preventiva deles”, diz.

Paulo Cesar afirmou também que está sendo deslocado para Tarauacá e Feijó um efetivo especial, o Grupamento Especial de Fronteira (Gefron). “Vamos potencializar as operações”.

  • Por Gina Menezes.
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