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Advogada pensou que fosse morrer de coronavírus: “Expliquei para minha irmã como eu gostaria que fosse meu funeral”

Por Redação Juruá em Tempo.6 de abril de 20203 Minutos de Leitura
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Quando recebeu alta médica da UTI do Pronto-socorro de Rio Branco no dia 2 de abril, última quinta-feira, após receber a confirmação de que estava curada do coronavírus, a advogada Isabela Aparecida Fernandes da Silva, de 37 anos, sabia que sua vida nunca mais seria a mesma. “Foi uma experiência extraordinária de mudança de mentalidade. Me senti uma pessoa privilegiada. Eu sou um milagre”, disse Isabela ao Notícias da Hora ao agradecer a Deus e às pessoas que por ela oraram.

Mas antes do milagre, a advogada passou pelo vale da sombra da morte. Dos 15 dias no interior de um hospital, oito foram em uma unidade de tratamento intensivo.
Quando recebeu a notícia de que seria entubada, pois seu quadro de saúde era grave, a advogada pensou que fosse morrer. Em uma sala cheia de médicos e enfermeiros, ela conta que conversou com sua irmã, a fisioterapeuta Simone Fernandes, passou seus dados bancários e orientações sobre como gostaria que fosse feito seu funeral.

“Eu não perdi a fé em nenhum momento e pedi a Deus para fazer a vontade dele. Se fosse da vontade dele me levar que fosse feita. O momento que eu mais senti isso (morte) foi o momento que eu fui entubada. Quando os médicos entraram no meu quarto de isolamento lá na Unimed e minha irmã que é da área da saúde, fisioterapeuta intensivista, segurou na minha mão e disse que iam ter que me entubar porque eu estava muito ruim… E aí eu vi aquele tanto de médico e enfermeiro entrando, e naquela hora eu falei: “Eu vou partir. Vou partir, mas que se faça a vontade de Deus”. Foi a conversa mais difícil na minha vida que eu tive com a minha irmã. Eu fui explicar para ela como que eu gostaria que fosse os procedimentos do meu funeral, passei minhas senhas de banco, minhas coisas todas pra ela, como eu gostaria de ser velada, onde eu gostaria que fosse feito e como eu gostaria que fosse feito. Essa foi uma das conversas mais difíceis que eu tive na minha vida. Nesse momento eu achei que fosse partir, mas não porque eu perdi a fé. Pedi para minha irmã cuidar dos meus pais. Foram as duas coisas que eu pedi pra ela”, lembra.

Isabela diz que começou a sentir os sintomas da Covid-19 quatro dia após ter participado de um evento da OAB em Fortaleza (CE). Primeiro ela apresentou tosse, depois uma febre alta de 38 graus até ser internada.

Dias antes de receber alta do hospital, Isabela recorda que a todo momento em seu leito ela ouvia louvores.

Agora cumprindo querentena e mantendo todos os cuidados sob orientação médica, a advogada afirma que fica preocupada ao ver as pessoas aglomeradas em ambientes como farmácias e supermercados.

“O que eu deixo para a sociedade é que levem a quarentena a sério. Eu não achava que a minha situação ia se agravar tanto, pois eu não estou e não estava em grupo de risco. Eu saio com os meus pais para ir à farmácia, ao mercado, fico dentro do carro e vejo as pessoas normal como se nada estivesse acontecendo.”

  • Luciano Tavares, do Notícias da Hora.
Por:
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