Um estudo do Centro de Saúde e Desporto do curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) mostra a projeção dos cenários do avanço da Covid-19 em Rio Branco. A pesquisa usou dois métodos científicos específicos para esse tipo de levantamento.
Para fazer as projeções, os pesquisadores levam em consideração o número de leitos e pacientes internados. Fernando de Assis, médico e presidente do Comitê de Gerenciamento de Crise da Covid-19 da Ufac, diz que casos confirmados não foram levados em consideração porque a testagem é muito baixa.
O estudo aponta que o pico da pandemia na capital deve ocorrer na segunda quinzena de maio e seguir até início de setembro, quando deve ocorrer o fim da primeira onda da doença.
“Até o fim da primeira onda da pandemia (início de setembro), a estimativa de mortes é de 289 pessoas, podendo aumentar para mais de 500 a depender da oferta e resposta ao tratamento”, destaca a pesquisa.
Para Rio Branco, a projeção seria que de mais 60 leitos de UTI voltados para Covid, fora os 10 que o pronto-socorro já disponibiliza.
“Se o distanciamento social se elevar para 50% nesse período as mortes estimadas serão de 205 (40% a menos) pessoas e necessidade de leitos adicionais de UTI cai de 60 para 44. Se o distanciamento social cair para 30% nesse período o número de mortes estimadas aumenta de 205 para 336 (49%) e o número de leitos de UTI de 60 para 76 (26%)”, destaca.
Pesquisa aponta que distanciamento social deve virar hábito — Foto: Odair Leal/Secom-AC
Distanciamento X isolamento
Fernando de Assis, no entanto, diz que os dados são projeções e que podem ser completamente diferentes. Destacou ainda que a pesquisa propõe pelo menos três alternativas para conter o avanço da doença.
“A gente colocou três grande grupos de sugestões, O primeiro seria minimizar o número de pessoas infectadas e aí são dois conceitos diferentes. O isolamento dá mais certo para os que estão positivos e idosos, que deveriam mesmo tentar ficar isolados, e a outra de distanciamento social, que é ter hábito de distanciamento, que é não aglomerar, que é diferente de isolar”, explica.
No caso do distanciamento, o pesquisador diz que algumas atividades poderiam voltar a funcionar de forma controlada, evitando a aglomeração de pessoas. Se criaria então normas diferentes que seguissem essa recomendação.
O segundo ponto abordado no estudo seria o aumento da estrutura hospitalar do estado. Além de novos leitos, definir com clareza que unidades estariam aptas a receber os pacientes com sintomas da doença.
“E a terceira recomendação seria montar uma estratégia para recrutar pessoal, contratar mais gente, trazer equipamentos de proteção e pensar em incentivos para os médicos que estão na linha de frente”, pontua.
Assis enfatiza ainda que os números têm se mostrado abaixo das projeções feitas em todo o país e que cada estado tem demonstrado cenários diferentes. Até esta quinta-feira (23), dos 10 leitos de Covid na UTI de Rio Branco, oito estavam ocupados, restando assim apenas duas vagas.
“Esses métodos são muito imprecisos. Diante de todas as projeções, previsões, as coisas estão menores do que se esperava. Agora, existem algumas preocupações, como a UTI do PS que já está praticamente lotada, então a gente projeta tudo isso para poder se programar”, finaliza.
Hospital do Juruá em Cruzeiro do Sul — Foto: Gledisson Albano/Rede Amazônica Acre
Projeções para o Vale do Juruá
Com cinco casos confirmados de Covid-19 até esta quarta-feira (22), Cruzeiro do Sul também aparece nos prognósticos. O pico da doença na cidade pode ocorrer ainda no começo de julho e se estender até início de outubro, quando a onda da doença perde força.
A cidade, que é a segunda maior do estado, tem 10 leitos também para atender os casos de Covid-19. Porém, o estudo prevê o aumento de pelos menos mais 26 vagas.
As mortes podem chegar a 153 na cidade. “Se o distanciamento social se elevar para 50% nesse período, as mortes estimadas serão de 89 (72% a menos) pessoas e a necessidade de leitos adicionais de UTI cai de 26 para 14. Se o distanciamento social cair para 30% nesse período o número de mortes estimadas aumenta de 153 para 178 (16%) e o número de leitos de UTI de 26 para 34 (30%)”, pontua o estudo.
Tácita Muniz – G1