Delegado nega que tenha cobrado R$ 1,5 mil para ajudar vítima e esclarece sobre dinheiro

O delegado de Polícia Civil José Obetânio dos Santos contesta as informações de que, em 2017, teria cobrado R$ 1.500 para solucionar o roubo de um veículo. Ele e um sargento da Polícia Militar respondem a uma ação penal por corrupção passiva movida pela 4ª Vara Criminal de Rio Branco após denúncia oferecida pelo Ministério Público do Acre.

Na época, Obetânio atuava em Tarauacá e, segundo ele, foi procurado por um delegado da capital para prestar um “favor de ordem pessoal”. O objetivo era que, ao entrar de férias, o agente fosse até o Envira, no Amazonas, para recuperar um caminhão roubado de um homem em Rio Branco.

O delegado esclarece que, para isso, a vítima disponibilizou o valor não como pagamento pelo serviço, mas sim para aquisição de passagens aéreas entre Feijó e Envira, que fazem fronteira. A própria vítima, Jair Alves Zumba, teria idealizado o resgate do automóvel sob essas circunstâncias, informou Obetânio.

Porém, ao descobrirem que o veículo identificado no município amazonense não era o mesmo da vítima, o dinheiro foi devolvido, conforme consta nos autos da denúncia.

O delegado explica que Jair Zumba foi até a corregedoria não para denunciar a transferência do dinheiro, mas sim para pedir celeridade nas investigações. Porém, ao comunicar os detalhes do caso, informou que solicitou a Obetânio que fosse ao Envira com recursos pagos por ele para reaver o carro. Assim, o presidente do inquérito teria interpretado que o agente incorreu em crime de corrupção e abriu a queixa-crime.

“A vítima não teve o objetivo de me incriminar. Nos próprio depoimento ele deixa claro que não foi pedido a ele nenhuma vantagem pelo trabalho. O homem estava no seu direito de cidadão de buscar soluções para reaver o item subtraído”, explica.

Ele afirmou ainda que não é raro as delegacias da regional do Tarauacá e da cidade de Envira terem contato, pois alguns crimes acontecem sob a jurisdição de ambas as regiões. Disse, também, que em seus 24 anos de carreira como delegado jamais precisou praticar crimes. “Fui preparado para combater a violência, não para ser um criminoso”, afirma.

“Não houve ilicitude alguma de minha parte, uma vez que eu estaria prestando um favor pessoal a um colega. Não tinha sequer procedimento instaurado pela minha pessoa sobre esse caso, ou seja, não pratiquei e nem deixei de praticar ato de ofício, até porque eu não exercia atribuição sobre esse caso, uma vez que o roubo do veículo aconteceu em Rio Branco e eu era delegado em Tarauacá”, disse Obetânio, que hoje trabalha no Juruá.

O homem explica que, no Envira, caso o plano desse certo, ele iria conversar com as autoridades policiais da cidade para darem início a uma ação para encontrar e recuperar o automóvel roubado no Acre. Por fim, manifesta confiança na Justiça. “Confio piamente e sei que serei absolvido porque não cometi crime algum. Estou absolutamente tranquilo”.

Ele também defende a inocência do sargento de polícia dizendo que o homem apenas prestava apoio na tentativa de resgate do automóvel. “Vamos conseguir provar”.