Início / Versão completa
Brasil

Filha chora por não se despedir do pai, vítima da Covid-19: ‘Morreu, enterrou. Não dei adeus‘

Por Redação Juruá em Tempo. 13/06/2020 07:57
Publicidade

A dona de casa Marlene dos Santos não pôde se despedir do pai, vítima da Covid-19 no Piauí. O enterro do idoso de 80 anos teve que ser rápido, sem a presença de familiares.

Publicidade

A dona de casa relatou sentir ainda uma “dor inexplicável” por não ter acompanhado o sepultamento. Nem o cemitério, a família pôde escolher.

“É aquela dor, uma dor inexplicável, é muito ruim, entendeu?”, chorou ao narrar ter a sua dor ampliada por não conseguir se despedir do seu pai.

Emocionada, ela disse que foram 35 dias sem poder ver o pai, internado, e nem após a morte conseguiu fazer uma última homenagem. Sete dias depois do enterro, no cemitério, ela contou o sentimento de ter um parente perdido por causa do coronavírus.

Publicidade

Dona de casa Marlene dos Santos — Foto: TV Clube

“Eu estava sem saber onde ele tinha sido sepultado. Mesmo possuindo um terreno no cemitério do Buenos Aires, eles disseram que não poderiam esperar. É morreu, enterrou, sem ver e sem nem saber como é que foi, pois foram 35 dias de angústia sem poder ver o meu pai”, lamentou.

E não foi apenas a dona de casa Marlene dos Santos que passou por esse drama. No Piauí, foram mais de 300 mortes devido à Covid-19.

De acordo com protocolos adotados pelo Ministério da Saúde, os sepultamentos de vítimas da Covid-19 devem ser feito em até três horas e com no máximo 10 pessoas na cerimônia.

“Não dei adeus. Não pude dar o último adeus. Ninguém pode. A assistente social ligou e disse que apenas uma pessoa poderia acompanhar”, narrou Marlene.

Cemitérios Teresina — Foto: TV Clube

Dona de casa Marlene dos Santos — Foto: TV Clube

Regras de enterro de mortos pela Covid-19

Em Teresina, os enterros de vítimas da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, seguem normas da Vigilância Sanitária, que permite a participação de apenas até 10 pessoas, desde que não sejam idosos, crianças ou pessoas com doenças crônicas.

Durante a cerimônia é exigido que as pessoas presentes permaneçam em uma distância de, no mínimo, dois metros. O caixão deve estar lacrado durante o velório.

Dona Marlene no cemitério — Foto: TV Clube

De acordo com Isaac Meneses, da Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sudeste (SDU), a medida adotada evita que sejam contaminados durante o velório.

“Os falecimentos que forem comprovados que foram vítima da Covid-19 ou suspeita, devem ter o enterro em um curto período, por que deve ser evitada a proliferação. Como se trata de um vírus novo e precisa de diversos estudos, não se tem dados concretos de, por exemplo, quanto tempo o vírus vai permanecer no solo”, explicou.

G1

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.