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“O governo tem que se mexer”, diz economista sobre as altas nos preços da carne no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.12 de outubro de 20203 Minutos de Leitura
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As constantes elevações do preço da carne tem deixado muitos consumidores acreanos alertas. O ContilNet apurou que em alguns estabelecimentos comerciais o aumento foi de 150% nos últimos meses. Porém, o que já é ruim deve ficar ainda pior. De acordo com o economista Rubicleis Gomes, a população deve se preparar para novos reajustes.

O coordenador do curso de Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac) afirma que vários fatores motivarão os próximos aumentos, mas o principal “vilão” para o consumidor será o selo de área livre de febre aftosa sem vacinação que o Acre obteve há dois meses.

Isso garante à carne produzida no estado um status de qualidade superior. Assim, novos mercados deverão importar o produto, alguns pagando preços maiores pelo item. Gomes comenta que os produtores geralmente guiam sua oferta pelos valores mais altos, o que explicaria os futuros aumentos, que serão repassados aos frigoríficos, casas de carne, supermercados, restaurantes e, consequentemente, aos consumidores.

“O selo de área livre de febre aftosa sem vacinação criou um cenário totalmente positivo para esse aumento. É importante esclarecer que o produtor não é desonesto por guiar sua oferta pelos preços mais atrativos. Ele está agindo racionalmente”, afirma o economista.

Ainda de acordo com Gomes, os aumentos que precederam a conquista do selo podem ser explicados pela desvalorização do Real frente ao Dólar, que cria um ambiente propício à exportação. “À medida que o câmbio for desvalorizando, quem vende carne e exporta, vai preferir exportar. É um conjunto de fatores”, analisa o professor.

Com as exportações em alta, a quantidade de carne que fica no Acre tende a diminuir e os estabelecimentos locais, para manterem sua margem de ganho com o produto, aumentam o preço.

“Como o Acre é o que a gente conhece como ‘pequena economia exportadora’, o preço doméstico do produto em questão vai se balizar pelo preço do mercado internacional. No nosso caso aqui, ou o mercado chinês ou o mercado Sul e Sudeste, que é pra onde a gente exporta carne. Não tem como ser diferente”.

Política tributária

Rubicleis Gomes alerta ainda que a política tributária do governo do estado contribui para essa elevação. Ele afirma que até o momento não existe nenhum tipo de medida governamental que mitigue a situação.

“Muito embora seja extremamente benéfico para a economia que os produtores rurais tenham um aumento de renda com o preço da carne, a pergunta é: o que é que o governo vai fazer para tentar reverter os impactos negativos que os aumentos ocasionam sobre os consumidores acreanos? Somente o produtor vai ser beneficiado com o Acre livre de febre aftosa? E os consumidores vão perder?”, questiona.

Para ele, é possível que o estado crie uma política econômica que minimize esse impacto negativo. “Se o governo não se mexer, o acreano vai comer muito menos carne de boi”.

De acordo com a Secretaria de Produção e Agronegócio (Sepa), o Acre não é o único do país que enfrenta subida nos preços. A pasta afirmou que o boi gordo por aqui continua no ranque dos mais baratos do país, mesmo em relação a lugares que ainda não obtiveram o selo de área livre de aftosa sem vacinação.

A secretaria foi questionada sobre que medidas o governo tem pensado para enfrentar o aumento, mas não respondeu.

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