“Amabili parece que quer ser policial, Wellinton quer ser caminhoneiro, e a Nicole quer ser professora. Dá um orgulho ver eles sonhando e acreditando em um futuro melhor, né. Se Deus quiser vai dar tudo certo”, afirmou o pai.
Morando em uma casa de madeira à beira da estrada, a família raramente consegue sinal de telefonia. Com isso, Edemilson aproveita para fazer ligações, quando precisa, no trabalho, e os filhos se arriscam caminhando pela rodovia até encontrarem algum sinal para o celular.
“Nasci e me criei aqui, mas é ruralzão, né? É gostoso o nosso lugarzinho, sossegado, tem um rio perto, mas tem esses problemas. Eles se arriscam pela estrada até algum restaurante ou estabelecimento para conseguir sinal”, explicou o pai.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/R/B/Q9vJcoRmeP4WfwWRmjLA/casa.jpg)
Conforme o pai, algumas vezes, quando a tarefa exige algum tipo de pesquisa, um dos filhos vai até a região que tem sinal de telefonia, faz capturas de tela do celular com o conteúdo e volta para terminar em casa.
“É arriscado, mas é o jeito. Eu mal tenho condições de colocar um prato cheio na mesa, quem dirá um computador e internet. É muito caro, eu não ia conseguir pagar nesse momento, então faço o que posso sem nem reclamar. Não é feio passar aperto, feio é não tentar mudar e fazer o melhor que pode”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/A/l/A3NE7qR3efHQjo2dRA1A/caderno.jpg)
De acordo com Edemilson, há nove anos ele enfrenta o desafio de cuidar e educar os filhos sozinho.
“A mãe deles foi embora do nada. Faz nove anos que eu cuido deles sozinho. Quando eles eram menores, eu sempre preparava a comida e lavava as roupas a noite, depois do trabalho. Agora com eles mais velhos, fica um pouco mais fácil administrar serviço e casa”, contou.
O pai trabalha há 18 anos em uma pousada mas, devido à pandemia, o local não paga o salário há mais de três meses, segundo ele.
“Lá eu faço de tudo, roçada, limpeza, serviço de jardinagem. Eu ganho um ‘salarinho’ que não dá muita coisa. Só que agora faliu, eles não têm mais dinheiro para pagar a gente. Eu estou aguentando até encontrar outro serviço. Está bem complicado. Me preocupo”, comentou.
A família Wielgosz sobrevive com ajuda de cestas básicas e doações.
“Sem essas ajudas não daria certo, não teria como viver. O sonho deles [dos filhos] é o meu também, e vejo que eles são gratos pelo meu esforço. Vou quantas vezes precisar e até mais longe. Meu amor por eles me move”, afirmou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/3/P/WzUq6dSyuRuEy5AzRxYA/4.jpg)