Rio Branco, Acre, 19 de junho de 2021

Mais de 490 presos do Acre fazem trabalhos externos em programa de ressocialização e remição de pena

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Por Redação Juruá Em Tempo.
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O Instituto de Administração Penitenciário do Acre (Iapen), realizou um balanço em que mostra que existem cerca de 1.134 detentos que realizam diversos trabalhos dentro das penitenciárias em todo o sistema prisional do estado, e que 494 que já podem até mesmo deixar os locais onde cumprem penas para exercer uma profissão.

Alguns dos critérios que foram estabelecidos para que os detentos pudessem participar do programa, é o comportamento, tempo de pena e aptidão. Para cada três dias que os presos trabalham, eles tem direito a um dia a menos na pena.

Francisco de Sousa, desde o início do ano vem trabalhando na marcenaria do Iapen no polo moveleiro do Distrito Industrial de Rio Branco e destacou que já teve a oportunidade de começar a exercer uma nova profissão e já faz planos para o futuro que será completamente diferente do que vive.

“Eu acredito que me deram um voto de confiança, me deram essa oportunidade, eu achei muito bom porque aprendi muita coisa aqui dentro. Sou marceneiro profissional, através do meu sofrimento eu consegui essa oportunidade e eu sou muito grato pelo pessoal do Iapen, pela direção por ter me dado essa chance de estar aqui hoje. Não pretendo mais voltar para a vida que eu tinha antes e me considero pronto para voltar para a sociedade”, disse.

Na marcenaria, são ao todo, 17 reeducandos, que fazem o trabalho na construção de móveis, portas, janelas entre outros produtos que são usados dentro do próprio sistema prisional, e a pedidos feitos de fora do sistema, com preços abaixo do mercado. O local, também funciona como uma oficina de lanternagem, e lá trabalham mais dois presos.

Cláudio Peres trabalha na oficina a pelo menos 5 meses, onde já dominava a profissão de pintor de veículos e já tem planos para o futuro.

“Em vez de a gente estar ali o dia todinho preso, pensando besteira, estamos aqui trabalhando, diminuindo pena, isso é muito importante. Pessoas estão aprendendo também, tem pessoas comigo aprendendo que não tem nenhum tipo de profissão e que estão sonhando em, quando sair daqui, ter uma profissão e mudar de vida. Tem gente que está preso porque não teve oportunidade de ter uma profissão. Pretendo montar uma empresa de pintura, ser pintor lá fora, e continuar minha vida junto com a minha família, em nome de Jesus Cristo, vai dar certo, em breve tô saindo desse lugar”, destacou.

Para o Arlenilson Cunha, presidente do Iapen, o projeto pretende proporcionar mais uma alternativa para que esses internos saiam da vida do crime e possam ser reintegrados à sociedade com uma profissão.

“Essa é uma finalidade do sistema penitenciário; devolver esse indivíduo ao convívio social e o Iapen vem fomentando essas atividades, desde das pequenas manutenções dentro das unidades prisionais, bem como fora no ambiente externo. Nós podemos destacar que tivemos pelo menos 20 presos que atuaram diretamente na construção do hospital de campanha, no auxílio da ampliação do hospital do Into [Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre] e também auxiliam na questão de roçagem, é de grande relevância, primeiro pela ocupação e agora trabalhando qualificação e profissionalização desses apenados do estado”, disse.

O interno, Francisco de Sousa finalizou a pauta declarando que essa é uma oportunidade para mudar de vida. “No meu futuro, pretendo sair daqui, voltar a estudar e dar uma vida melhor para os meus filhos, para minha esposa, que, apesar de estarmos um tempo sem nos ver, é uma pessoa muito importante na minha vida, mas vai dar tudo certo, tenho fé em Deus que vai”, finalizou.

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