Nesta última segunda-feira (28), a Polícia Federal realizou uma operação em Cruzeiro do Sul, intitulada de Totomide, “Sanguessuga” no dialeto Kulina, a operação, que ocorreu na cidade de Feijó, teve como objetivo, reprimir práticas delituosas contra indígenas da etnia Kulina, valendo-se de sua vulnerabilidade.
Segundo informou em entrevista, a delegada da Polícia Federal, Milena Lecy, a investigação teve início em novembro de 2020, e contou com a participação de cerca de 14 policiais federais, onde foi cumpriram dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva domiciliar, que foram expedidos pela Justiça Federal, Subseção Judiciária de Cruzeiro do Sul.
Os investigados irão responder pelos crimes de apropriação indébita, furto mediante fraude e pelo art. 104 do Estatuto do Idoso, que prevê ser crime a retenção de cartões de idosos para assegurar pagamento de dívida, além de práticas de estelionato.
O nome da operação que significa sanguessuga vem do dialeto Kulina, falado pelo povo indígena Madijá, que faz referência à comerciantes, denominados patrões pelos povos indígenas, que fazem apropriação dos cartões e benefícios previdenciários destes povos.
De acordo com as investigações, uma vereadora do município foi apontada também como participante do esquema juntamente com seu esposo. “Quando fomos à residência do marido, no qual era investigado, percebemos que a esposa (vereadora), também tinha uma atuação”, afirmou a delegada.
“Essa quadrilha atua já a um tempo, a gente acredita que a mais de 10 anos nessa região de Feijó. E também a gente sabe que tem denúncias em outros municípios do estado do Acre, referentes a essa mesma prática. Vamos fazer um levantamento patrimonial dessas pessoas, para fazer essa verificação, se essas pessoas obtiveram algum tipo de compras de propriedades com os valores desses indígenas”, disse a delegada.

