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Escritor acreano apoia decisão do STF contra religiosos em aldeias: “Interdição deveria ser absoluta”

Por Redação Juruá em Tempo.29 de setembro de 20213 Minutos de Leitura
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Sobre uma emblemática fotografia do repórter-fotográfico acreano Gleilson Miranda, a qual corre o mundo por mostrar índios isolados tentando atingir com suas flechas inocentes um avião monomotor que sobrevoava sua aldeia, na floresta amazônica, o jornalista e escritor Edilson Martins veio a público manifestar apoio à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que impede a entrada de religiosos em aldeias indígenas durante a pandemia.

Martins, acreano de Rio Branco e que fez fama na imprensa nacional como repórter desde os anos 70, radicado no Rio de Janeiro, é autor de livros emblemáticos sobre a questão indígena, como o já esgota “Nossos Índios, Nossos Mortos”, fala com alguma autoridade sobre o assunto.

Sobre a decisão do STF, manifestada em despacho do ministro Luís Roberto Barroso, o escritor acreano é enfático: “A bancada da Bíblia, irmã gêmea da bancada da Bala, acusa o ministro Luís Barroso, do STF, de perseguição religiosa por proibir a presença de pastores junto a povos indígenas isolados, em tempos de pandemia”.

Para Martins, no caso, há “má fé, brutalidade e lorotas desses pastores evangélicos instalados no Congresso”.
“Essa interdição deveria ser absoluta, não só em tempos de pandemia”, prossegue o escritor. “A medida do ministro não se restringe apenas aos pastores evangélicos. Na verdade é tímida.”, acrescenta.

De acordo com Martins, índios, principalmente os isolados, “sem contato ainda com a chamada Civilização, são que vítimas fáceis desses pregadores e suas doenças. Desde a Descoberta”, disse; “Esses agentes primeiro destroem a religiosidade original desses povos – suas almas – produzindo a decadência generalizada de suas culturas”, escreveu.

Em seguida, afirma, “vem a ocupação de suas terras e riquezas – madeiras, minérios, e os subprodutos; alcoolismo, prostituição, suicídios, decadência definitiva. Nos últimos 12 mil anos a dita Civilização já promoveu 10 mil religiões, com pelo menos mil deuses. Todos, apontados por seguidores, quase sempre fanáticos, como o verdadeiro, o legítimo. Os outros são falsos, hereges.

Edilson Martins também chama à reflexão sobre religião. Diz que “religiões e nacionalismos estão na raiz das maiores carnificinas da humanidade. Até hoje. Basta olhar o mapa belicoso do mundo”.

E questiona: “Se o estado é laico, o nosso por enquanto ainda o é, por que prevalecer apenas um Deus? E Poseidon, Apolo, Brahma, Dionísio, Jeová, Zeus, Odin, Iansã, Ogum, Oxóssi e a penca restante somando cerca de mil deuses?
O jornalista é duro com o que chama de três bancadas perigosas no Congresso: “Essas três bancadas – Bíblia, Bala e Boi – têm no Bolsonarismo sua vertente essencial, e, no entanto, não nasceu com ela esse flagelo. Desde a Descoberta o Cristianismo desfecha golpes brutais contra essas culturas. Antes do temporal é preciso subjugar o divino. Oh, raça, essa dita Civilização”, conclui.

  • Por Tião Maia, do Contilnet.
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