Conhecido por ter confessado ser autor de pelo menos 15 execuções, Ricardinho Vitorino de Souza foi condenado, nesta terça-feira (21), pela morte de Carlos Alberto da Silva, achado morto com cerca de oito tiros em dezembro de 2019 no bairro Cabreúva, em Rio Branco.
Neste novo julgamento, ele pegou 17 anos de reclusão em regime inicial fechado. O outro apontado como autor do crime, Antônio Railan foi absolvido pelo Conselho de Sentença, já o terceiro réu do processo, Marcelo Pinheiro Soares morreu no dia 4 de maio deste ano.
Segundo o processo, Ricardinho e os comparsas ofereceram carona à vítima dizendo que eram da mesma facção criminosa. Eles se encontraram ao sair da delegacia de flagrantes. Sabendo que a vítima era de um grupo criminoso rival, eles disseram que iriam beber para comemorar que haviam sido liberado e ao chegar no bairro Cabreúva disparou contra a vítima. No local, foram recolhidos pelos peritos dez cápsulas de estojo calibre 380.
O Ministério Público do Acre deve recorrer da decisão que absolveu Antônio Railan.
Legítima defesa
A juíza da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Luana Campos, reconheceu legítima defesa e absolveu Ricardinho Vitorino de Souza da acusação de homicídio qualificado contra Stanley Fernandes, de 20 anos, ocorrido no último dia 7 de janeiro do ano passado.
Souza foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de homicídio com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A juíza Luana Campos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco, tinha recebido a denúncia no dia 7 de outubro do ano passado e o acusado virou réu.
Souza está preso desde fevereiro deste ano. Na época da prisão, a Polícia Civil informou que ele executava ordens que partiam de dentro do presídio junto com outros comparsas. Ele confessou participação em 15 homicídios ocorridos na capital acreana.
Outros crimes
Entre as vítimas que a polícia afirma que foram assassinadas por Ricardinho Vitorino de Souza estão Raimundo da Costa Silva, 35 anos, encontrado morto com um tiro na nuca no dia 15 de setembro de 2019, às margens do Rio Acre, no bairro Cidade Nova, em Rio Branco.
A morte do comerciante Marieldo de Souza do Nascimento, de 45 anos, com dois tiros na cabeça na tarde do dia 6 de novembro de 2019 também teria sido causada pelo mesmo homem. O crime ocorreu na Rua Antônio Pessoa Jucá, no bairro Tancredo Neves.
Outras duas vítimas seriam os jovens Paulo Henrique Batista, de 19 anos, e Marcos Gabriel Morais, encontrados mortos, no dia 13 de novembro de 2019, no Ramal Castanheira, na região da Vila Custódio Freire, na BR-364, em Rio Branco.
O suspeito teria participação na morte dos irmãos Kellyton dos Santos e Elias dos Santos no dia 30 de dezembro de 2019. Eles foram executados a tiros dentro de casa no bairro Boa Vista.
No mesmo dia, o suspeito teria matado Ediberto Melo de Souza, de 38 anos, executado com 10 tiros no bairro Boa União.
Ricardinho Vitorino de Souza também é suspeito de participação na morte da adolescente Amanda Silva Barbosa, de 17 anos. Ela foi executada a tiros e golpes de faca em janeiro de 2020, na Travessa da Amizade, no bairro Santa Inês.
A morte de Ítalo de Souza Charife, de 20 anos, seria de autoria do mesmo suspeito. O jovem morreu no pronto-socorro de Rio Branco no último dia 5 de janeiro, após ser atingido por, ao menos, quatro disparos de arma de fogo. O crime ocorreu no bairro Conquista e ele foi socorrido e levado ao PS, mas não resistiu. Pela morte de Ítalo Charife, o acusado foi julgado em junho deste ano e pegou mais de 28 anos de prisão. A namorada dele foi condenada pelo crime também.
Antônio José de Oliveira da Conceição, de 39 anos, morto no dia 16 de janeiro de 2020, em frente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do conjunto Habitacional Cidade do Povo também seria uma das vítimas do homem preso.
O suspeito teria ainda participação no ataque a uma casa no bairro João Paulo no dia 26 de janeiro de 2020 que deixou três feridos e um morto de uma mesma família. Aguida Williane Teles de Souza, de 23 anos, morreu no hospital.
Francisco das Chagas Gomes, de 24 anos, executado com três tiros no dia 8 de fevereiro de 2020, na Praça do Conjunto Rui Lino, em Rio Branco teria sido a última vítima do homem. Ele morreu depois do criminoso e seus comparsas assaltarem um taxista e seguirem pelas ruas da capital atirando.
Por G1 Acre

