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Sem feira da farinha, Cruzeiro do Sul celebra 117 anos evitando aglomeração

Por Redação Juruá em Tempo.28 de setembro de 20214 Minutos de Leitura
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A segunda maior cidade do Acre em população, Cruzeiro do Sul não vai festejar como de costume o seu 117º aniversário de fundação, nesta terça-feira, 28. A tradicional feira da farinha, por exemplo, não será realizada para evitar aglomerações. Mas o aniversário já vinha sendo comemorado desde o dia 20 e só termina dia 30, perfazendo dez dias de atividades.

Aldemir Maciel, o secretário municipal de Cultura, informa que o programa envolve muitas ações na área de cultura, de patrimônio e de administração. “Estamos fazendo um aniversário diferente, de forma híbrida, presencial em alguns eventos e com lives em outros, para que todo mundo possa ter acesso. No caso da semana de cultura no teatro é presencial e virtual, irão entrar 300 pessoas, conforme determina o decreto, mas quem tiver em casa vai poder curtir grandes shows e atrações locais”, explicou o secretário.

As festas também contam com inaugurações, sessão solene da Aleac no Teatro dos Náuas e até um seminário na Aleac para debater a ligação rodoviária com Pucallpa no Peru. Ontem (27), a prefeitura entregou a segunda etapa da obra de revitalização do Balneário Igarapé Preto e assinou Ordem de Serviço para construção do Kupixawá na Terra Indígena Katukina na BR-364.

Nesta terça (28), a programação começa às 8 horas com o hasteamento dos Pavilhões Nacional, Estadual e Municipal e às 19h, acontece uma live show em comemoração ao aniversário. O evento acontece no Centro Cultural do Juruá.

Na quarta-feira (29) será assinada a Ordem de serviço da Construção da Creche no Bairro do Miritizal. Às 10h, a Prefeitura realiza o Casamento Coletivo no Projeto Cidadão, às margens do Rio Crôa. No dia 30, quinta-feira, acontece uma sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa do Acre em homenagem a Contribuição da Igreja Católica no Vale do Juruá, no Teatro dos Náuas.

Além da sessão, duas audiências públicas serão realizadas. A primeira é fruto de um requerimento da Mesa Diretora da Aleac e ocorre na sexta-feira (1), onde será debatida a “Economia e Organização da Agricultura do Juruá”. Já no sábado (2), acontece segunda audiência pública para debater a “Interligação Cruzeiro do Sul/Pucallpa”, uma proposta do deputado Roberto Duarte (MDB).

História oficial de Cruzeiro omite “correrias” contra indígenas

Povoada por indígenas desde tempos imemoriais, a cidade de Cruzeiro do Sul foi batizada em homenagem à constelação, segundo supõem os historiadores que contribuíram com o site da Prefeitura, do IBGE e até com a Wikipédia, enciclopédia colaborativa e universal disponível na internet. O texto afirma que os indígenas abandonaram Cruzeiro do Sul por causa de uma “terrível epidemia”. Nenhuma palavra sobre as correrias, prática de colocar os índios para correr de suas malocas sob saraivadas de chumbo e fogo nas malocas.

“Várias expedições foram realizadas, proporcionando o início do povoamento da região. A tribo dos Nauas (os principais dominantes que fez (sic) retroceder a expedição do cientista inglês William Chandless em 1867) abandonou a localidade a partir de 1870 rumando para o Peru pelos altos rios em função de uma ‘terrível epidemia’. Formaram-se seringais como consequência da imigração de nordestinos que, acossados pelo fenômeno das secas, abandonaram os sertões entre 1877 a 1879”.

As correrias ganharam o nome de expedições para viabilizar o povoamento regional. Mas poderiam ser chamadas de caçada mesmo, não fosse proibido falar sobre o tema. Em 1992, o livro “História do Acre” do professor e historiador Carlos Alberto Alves de Souza, foi censurado pela Justiça Estadual porque contava sobre a escravização dos indígenas pelo coronel Mâncio Lima, hoje nome de cidade vizinha à Cruzeiro do Sul. Carlos Alberto, que faleceu em outubro do ano passado, só conseguiu publicar a obra em 2013 e sem mencionar o coronel, cuja família foi a autora da ação contra o livro.

A verdadeira história de Cruzeiro do Sul, portanto, jamais terá credibilidade sem contar a versão dos indígenas. A versão dos derrotados. Até lá, a versão oficial é que coube ao coronel do Exército, Gregório Taumaturgo de Azevedo, em 12 de setembro de 1904, instalar a sede provisória do município na foz do rio Moa, em localidade chamada “Invencível” e, no dia 28, transferir a sede para a margem esquerda do rio Juruá, em local mais longe das alagações e mais espaço para crescer.

  • Por João Maurício (Agência Caule).
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