Início / Versão completa
Brasil

Paulo Guedes demonstra despreparo, dizem economistas

Por Redação Juruá em Tempo. 17/12/2021 09:00
Publicidade

O anúncio do fechamento do escritório do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Brasil , feito nesta quinta-feira após críticas do ministro Paulo Guedes à entidade, foi lamentado por economistas ouvidos pelo GLOBO.

Publicidade

Eles criticam a posição do ministro e, em sua maioria, afirmam que haverá impacto negativo para o país em termos de credibilidade e imagem junto a mercados internacionais.

Elena Landau: ‘É uma forma debochada, ridícula’ de tratar FMI

A economista Elena Landau, ex-diretora de Privatizações do BNDES, critica as falas de Guedes, que na última quarta-feira disse a uma plateia de empresários que estava “dispensando” o órgão do país.

“A maneira pela qual o ministro da economia trata um órgão da importância do FMI é mais uma mancha na imagem do Brasil frente ao mundo. É uma forma debochada, ridícula”, diz Landau.

Publicidade

A economista também condena as declarações do ministro sobre o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, que em janeiro assumirá o cargo de diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI.

“Ao falar do Fundo, Guedes ataca o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, que ganhou por dois anos seguidos como melhor presidente de Banco Central do mundo. Isso mostra mais uma vez a mesquinhez do ministro da Economia, agora frente a um profissional que teve sucesso absoluto no combate da inflação”, afirma Landau.

A economista se refere ao prêmio Central Banker of The Year, concedido pelo jornal Financial Times a Goldfajn.

O ex-presidente do BC tem afirmado em entrevistas e eventos recentes que prevê uma recessão para o país no próximo ano e que os investidores estrangeiros já fugiram do país.

Arminio espera reconsideração de ambos os lados

Landau ressalta, ainda, que o Brasil não resolveu seus problemas fiscais e que, embora Guedes mostre contrariedade quanto às previsões traçadas pelo FMI para a economia brasileira e não concretizadas, as estimativas do ministro também se mostraram equivocadas.

“Guedes criticou a qualidade das previsões econômicas do órgão, mas ele é a última pessoa no país que deveria criticar quaisquer previsões. Ele prometeu R$ 1 trilhão em privatizações e não entregou, previu uma recuperação econômica em V e inflação controlada. É a pessoa que mais erra projeção”, conclui.

Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, afirmou ao GLOBO esperar que o governo e o FMI “se entendam e voltem atrás” da decisão de encerrar o escritório.

Schwartsman: ‘Atitude mostra imaturidade e despreparo’

Para Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Relações Internacionais do Banco Central do Brasil, não há repercussão econômica com o anúncio.

“A atitude do ministro mostra imaturidade e despreparo, mas o Brasil não precisa (economicamente) do Fundo nem o Fundo precisa do país, mesmo ministros ruins, como Guido Mantega, mantiveram uma boa relação com a entidade”, diz ele.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.