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Acre realiza mais de 3,6 mil cirurgias de hérnia em 2 anos; mutirões reduzem fila

Por Redação Jurua em Tempo1 de junho de 20254 Minutos de Leitura
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Nos últimos dois anos, o Acre realizou 3.632 cirurgias de hérnia, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH). A maior parte dos procedimentos foi para tratar a hérnia inguinal, que ocorre na região da virilha, com 1.640 cirurgias realizadas no período.

Em 2023 foram feitas 1.981 operações, enquanto em 2024, 1.651 procedimentos foram registrados. Do total, 445 foram casos de urgência e 3.187 cirurgias eletivas. Apenas neste ano, nos primeiros meses, já foram contabilizadas 142 cirurgias.

O estado tem investido em ações para acelerar esses procedimentos, como mutirões de saúde que possibilitam a realização de cirurgias em várias cidades, sem que os pacientes precisem se deslocar até a capital. O Programa Opera Acre, por exemplo, tem atuado para ampliar o acesso aos serviços de saúde.

A hérnia é uma condição que ocorre quando um órgão ou tecido se desloca de sua posição original através de uma abertura ou fraqueza na parede abdominal. Existem diversos tipos, sendo os mais comuns a inguinal, umbilical, epigástrica e a incisional, que aparece no local de uma cicatriz de cirurgia anterior.

O médico Nonato Anute, diretor técnico da Cirurgia Geral da Fundação Hospitalar e especialista nesse tipo de procedimento, explica que a hérnia inguinal é a mais frequente. “Entre as causas da hérnia inguinal, a anatomia por si só já é um fator de risco, já que essa região é uma parte frágil da parede abdominal devido à pouca camada de tecido. Além disso, também é o local onde os testículos saem de dentro da barriga e migram para a bolsa escrotal durante o desenvolvimento embrionário, deixando assim um local já fragilizado.”

Segundo ele, outros fatores que contribuem para o surgimento da hérnia incluem excesso de peso, desnutrição, traumas na região, doenças crônicas que causam tosse, problemas hepáticos que provocam acúmulo de líquidos, além da obesidade. Por razões anatômicas, a maioria dos pacientes que passam por esse tipo de cirurgia são homens.

As cirurgias são feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que tem fortalecido as ações por meio de mutirões como o Opera Acre. Para ter acesso ao procedimento, o paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para avaliação médica e posterior encaminhamento a hospitais especializados, como a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre). A triagem prioriza casos mais graves.

A recuperação pode variar de 15 dias até três meses, de acordo com o médico. “Os pacientes podem ser operados nas suas cidades, ficando próximos aos familiares, sendo mais seguro, sem precisar gastar para ir até a capital. Devido ao grande número de cirurgias na fila de espera, quando esses pacientes são operados nas suas cidades por intermédio do Programa Opera Acre, a Fundhacre abre mais vagas para os casos mais graves, dando vazão à fila de espera”, disse.

Embora seja considerado um procedimento relativamente simples, a cirurgia de hérnia é fundamental para garantir qualidade de vida. Casos não tratados podem evoluir rapidamente para situações de emergência, com risco de necrose dos tecidos. “Toda hérnia com dor súbita é uma urgência e o paciente deve ser operado em um período de até 6 horas para que não haja a morte dos tecidos. A dor é o maior sinal de alerta nos casos de hérnia”, orienta o médico.

Atualmente, as cirurgias são realizadas em hospitais de cidades como Senador Guiomard, Plácido de Castro, Brasileia e Tarauacá. Segundo Jamayla Mendonça, diretora de regulação da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), há uma programação mensal de mutirões nas unidades que integram o Opera Acre. “É possível afirmar que os mutirões alcançaram o maior número de pessoas com esses procedimentos. Com isso, vem a redução da fila de espera, atendimento das demandas reprimidas, além de levar esses serviços da saúde para mais perto da população que, muitas vezes, tem dificuldades de acesso regular”, afirma.

O mecânico Antônio Ronaldo Lima, de 55 anos, morador de Senador Guiomard, foi atendido e ficou surpreso com a agilidade. “Eu fiquei até surpreso com a rapidez com que me chamaram. Eu dei meu nome e em poucos dias já me ligaram. Algumas pessoas me diziam que eu ia esperar por 1 ou 2 anos, mas foi tudo bem rápido mesmo”, relatou.

Outro caso é o de Nascineia Magalhães, que sofria com dores causadas por uma hérnia após ter passado por uma cirurgia de apendicite durante a pandemia de covid-19. “Em razão dessa hérnia eu nem conseguia andar direito e hoje me sinto muito grata, alegre, por estar chegando ao fim dessa enfermidade. Eu fiquei muito feliz.”

Por: Redação
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