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Ex-Al Qaeda, líder da Síria se reúne com Trump na Casa Branca em encontro histórico

Por Redação Juruá em Tempo.10 de novembro de 20254 Minutos de Leitura
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Em um encontro histórico, o líder da Síria, Ahmed al-Sharaa, chegou à Casa Branca nesta segunda-feira (10) para se reunir com Donald Trump, quase um ano após a queda do ditador Bashar al-Assad. Ligado à Al Qaeda no passado, Sharaa tenta encerrar o isolamento internacional de seu país.

A reunião em Washington ocorre seis meses após o primeiro contato entre os líderes, na Arábia Saudita, e poucos dias após o governo americano retirar Sharaa da lista de pessoas ligadas ao terrorismo. O gesto simbolizou a guinada radical na relação entre os dois países e também na trajetória pessoal do sírio, de 42 anos, que passou de combatente da organização terrorista a chefe de Estado reconhecido pelo Ocidente.

Sharaa chegou ao poder em dezembro do ano passado, após seus combatentes lançarem uma ofensiva-relâmpago a partir do noroeste do país e derrubarem Assad, que controlou a Síria por mais de duas décadas. Desde então, o novo governo sírio se afastou dos antigos aliados Irã e Rússia e se reaproximou da Turquia, das monarquias do Golfo e dos EUA de Trump.

Questões de segurança devem dominar o encontro desta segunda. Washington negocia um possível pacto de defesa entre Síria e Israel, que ainda vê com desconfiança o passado do novo líder sírio. Também há planos para o anúncio da entrada do país do Oriente Médio em uma coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico (EI).

A visita ocorre ainda em um momento conturbado na Síria. Autoridades do país informaram que, nos últimos meses, dois complôs para assassinar Sharaa, atribuídos ao EI, foram frustrados. As tentativas evidenciariam os riscos que ele enfrenta ao tentar consolidar seu governo em um país devastado por 14 anos de guerra civil. No fim de semana, o Ministério do Interior lançou uma ampla operação contra células do grupo extremista, e mais de 70 suspeitos foram detidos.

Trump afirmou na semana passada que “muito progresso foi feito” em relação à Síria e elogiou o novo líder. “Ele está fazendo um ótimo trabalho. É uma vizinhança difícil, e ele é um cara duro, mas nos damos muito bem”, disse o presidente americano.

Depois do primeiro encontro entre os dois, em maio, Trump anunciou a suspensão das sanções impostas a Damasco. A retirada da pena é prioridade para Sharaa, que busca atrair investimentos estrangeiros para reconstruir o país. O Banco Mundial estima que a recuperação da Síria exigirá mais de US$ 200 bilhões.

Internamente, o novo governo ainda enfrenta enormes desafios. Conflitos sectários recentes deixaram mais de 2,5 mil mortos desde a queda de Assad, o que levantou dúvidas sobre a capacidade de Sharaa de governar.

A atenção de Washington à Síria ocorre enquanto o governo Trump tenta manter o cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza e avançar em seu plano de paz de 20 pontos para encerrar a guerra no território palestino, que já dura dois anos.

A trajetória pessoal de Sharaa é, por si só, um retrato das mudanças na política síria. Ele se juntou à Al-Qaeda no Iraque após a invasão americana de 2003 e passou anos preso por forças dos EUA. De volta à Síria, tornou-se um dos líderes da insurgência contra Assad. Conhecido à época como Abu Mohammad al-Golani, foi designado como terrorista em 2013, mas rompeu com a Al-Qaeda em 2016 e consolidou sua influência no noroeste sírio.

No fim de 2024, Washington retirou a recompensa de US$ 10 milhões por sua captura, e, na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU suspendeu as sanções contra ele e seu ministro do Interior, Anas Khattab. EUA e Reino Unido seguiram o mesmo caminho.

“A visita de Sharaa a Washington simboliza uma mudança drástica. A Síria deixou de ser um satélite do Irã para integrar o campo liderado pelos EUA, e Sharaa passou de um procurado a parceiro na guerra ao terror”, afirmou Firas Maksad, diretor para Oriente Médio e Norte da África do Eurasia Group, à agência de notícias Reuters.

“Muita coisa ainda pode dar errado, e há sérias preocupações sobre direitos individuais e das minorias, mas a primeira visita de um chefe de Estado sírio à Casa Branca é um momento de esperança de que o país esteja finalmente no caminho certo.”

Por: FolhaPress.
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