O presidente do PT, Edinho Silva, atribuiu a recente queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à “avalanche de denúncias de corrupção” que ocorrem no Brasil nos últimos meses, lideradas pelo escândalo do caso do Banco Master a pela CPMI que apurou as fraudes no INSS. De acordo com o líder partidário, Lula está “pagando o preço” pelo cenário adverso, uma vez que a população não vivencia o dia a dia da política com maior profundidade e tende a associar os casos ao governo. Apesar da instabilidade, Edinho também defendeu a reeleição do presidente neste ano.
— Em dezembro, a popularidade do presidente estava em franca recuperação. O que aconteceu de lá para cá? A avalanche de denúncias de corrupção que o país tem vivenciado. Por mais que ele esteja pedindo para apurar todas as denúncias, se tem corrupção, é o governo que é responsável, é assim que a sociedade pensa — declarou Edinho, em entrevista ao Canal Livre, da Band. — Neste momento, o presidente Lula paga o preço por esse desgaste que a política vive.
Edinho defende ser “evidente” que a população não vivencia a política com tanta profundidade no dia a dia e que, por isso, passa a ser impactada por conteúdos falsos disseminados na internet.
— A gente pensa que a sociedade está vivenciando a política como nós vivenciamos. Evidente que não. Eles se informam “rodando o dedo” no celular, lendo o que é ou não manchete, o que um influenciador fala — avalia o líder partidário. — Nós temos que comunicar, falar, fazer com que a verdade prevaleça — completou.
Um dos pontos de maior desgaste contra Lula é o suposto envolvimento de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas fraudes ligadas ao INSS. Ele chegou a ser alvo de pedidos de quebra de sigilo bancário por parte da comissão e teve o nome incluído no relatório final para ser indiciado. O documento, no entanto, acabou sendo recusado pelos parlamentares. Em dezembro, Lula chegou a dizer publicamente que “se tiver filho meu metido nisso (fraudes aos aposentados), vai ser investigado”.
— Nada o vincula (Lulinha) a nenhuma denúncia. Nada do que foi apurado. Quebraram sigilo, e nada do que está nas contas bancárias dele vincula a qualquer desvio no INSS. Mas é evidente, ele é filho do presidente, acaba pagando o preço por isso — também argumentou Edinho.
O presidente do PT afirmou, ainda, que Lula está sendo “incisivo” no pedido de apuração das denúncias contra o Banco Master. Durante entrevista ao portal ICL Notícias, na última quarta-feira, o presidente revelou que pediu para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dar explicações à sociedade sobre suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.
Alta na rejeição
Conforme a nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana, a rejeição de Lula alcançou 48% da população brasileira. Nas publicações anteriores, em março e dezembro, o índice era de 46% e 44%, respectivamente. Em abril de 2025, a taxa era de 42%.
O índice de desaprovação do trabalho do petista também manteve a tendência de alta, alcançando 51%. Já entre os que consideram o governo atual ruim ou péssimo, o índice se manteve em 40% — era 37% em dezembro —, embora o percentual dos que o avaliam como bom ou ótimo tenha saído de 32% em março para 29% neste mês.
– A nossa tarefa é deixar claro que quem está patrocinando a apuração de todas as denúncias, INSS, Master, é o presidente Lula. Se as denúncias estão sendo investigadas, é mérito do presidente Lula. E temos que continuar defendendo o legado do governo Lula; é o governo com maior entrega desde a redemocratização do Brasil. A verdade vai prevalecer, temos que trabalhar muito – declarou Edinho, ao GLOBO, ao ser questionado sobre tais resultados no sábado.
Defesa de reeleição
Mesmo em meio ao desgaste, Edinho, ainda ao Canal Livre, defendeu a reeleição de Lula, além de frisar que outros nomes podem surgir no futuro para sucedê-lo em uma frente formada com partidos “do campo democrático”.
— É evidente que uma liderança para substituir o presidente Lula, e nós temos essa consciência, não é simples, porque ele é o maior líder político do mundo — disse. — O direito de decidir se é candidato ou não é do Lula, mas nós estamos trabalhando para que ele seja o nosso candidato. Eu penso que ele é a liderança mais preparada para conduzir o Brasil.

