O Acre está há quase quatro décadas sem registrar casos de poliomielite, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) no novo Boletim Epidemiológico sobre PFA/Poliomielite e Tétano. De acordo com o levantamento, o último caso confirmado da doença no estado ocorreu em 1987.
Apesar do cenário sem registros da doença, o boletim alerta para a necessidade de manter altas coberturas vacinais e reforçar a vigilância epidemiológica para evitar a reintrodução do vírus no estado.
A poliomielite, também conhecida como pólio, é uma doença viral infectocontagiosa que pode provocar paralisia flácida súbita, principalmente nos membros inferiores. Segundo a Sesacre, apenas cerca de 1% das pessoas infectadas desenvolvem a forma grave da doença, mas o vírus pode circular silenciosamente entre a população.
O boletim destaca que, embora a doença tenha sido eliminada das Américas desde a década de 1990, ainda existem países considerados endêmicos para a pólio, como Paquistão e Afeganistão. Além disso, surtos de poliovírus derivados vacinais têm sido registrados em mais de 25 países.
Em outubro de 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) chegou a emitir alerta epidemiológico após a detecção de poliovírus derivado vacinal em águas residuais da Guiana Francesa, território que faz fronteira com o Brasil.
Cobertura vacinal ainda preocupa
A Sesacre também chama atenção para a queda da cobertura vacinal registrada nos últimos anos, especialmente durante o período da pandemia da Covid-19.
Segundo o boletim, a cobertura vacinal da terceira dose da vacina inativada poliomielite (VIP) em crianças menores de 1 ano no Acre foi de 52,32% em 2022. O índice subiu para 76,88% em 2023, alcançou 85,7% em 2024 e ficou em 85,05% em 2025.
Apesar da recuperação, o estado ainda não atingiu a meta de 95% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O documento atribui a baixa cobertura vacinal observada nos últimos anos não apenas aos impactos da pandemia, mas também à disseminação de fake news e à perda de confiança da população nas vacinas.
Casos suspeitos seguem monitorados
O boletim informa ainda que o Acre notificou 13 casos de Paralisia Flácida Aguda (PFA) entre 2022 e abril de 2026. Todos os casos registrados entre 2022 e 2025 foram descartados para poliomielite após investigação laboratorial.
Já o caso notificado em 2026 segue em fase de investigação e realização de exames para isolamento viral.
Segundo a Sesacre, manter a vigilância ativa e ampliar a vacinação são medidas consideradas essenciais para impedir o retorno da doença.
A vacinação contra a pólio é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o esquema vacinal é composto por três doses da VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de um reforço aos 15 meses.

