O novo Boletim Epidemiológico nº 03/2026 da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) indica redução nos casos de coqueluche em 2026, mas aponta um alerta para a baixa cobertura vacinal em parte dos municípios e a vulnerabilidade de bebês à doença. Os dados são do último boletim divulgado no dia 30 de abril.
De acordo com os dados atualizados até a Semana Epidemiológica 17, o Acre registrou 23 casos notificados em 2026, dos quais 3 foram confirmados e 11 descartados. Os números representam queda em relação a 2025, quando foram contabilizados 25 casos notificados e 14 confirmações. Apesar da redução, o boletim ressalta que os dados deste ano ainda são preliminares e podem sofrer alterações.
A análise também mostra que, em 2026, os casos confirmados se concentraram em poucos municípios: Rio Branco (2 casos) e Sena Madureira (1 caso). No ano anterior, a maior incidência também foi registrada na capital, com nove confirmações, além de ocorrências em Xapuri, Porto Acre e Senador Guiomard.
Outro ponto destacado é a distribuição temporal da doença. Enquanto em 2025 houve aumento progressivo ao longo do ano, com pico na semana epidemiológica 47, em 2026 os três casos confirmados ocorreram nas primeiras semanas do ano, sem novos registros até o período analisado.
O boletim reforça ainda que a coqueluche continua sendo mais perigosa para crianças pequenas. No recorte entre 2025 e 2026, a maior parte dos casos confirmados ocorreu em menores de 1 ano, com predominância no sexo masculino. A doença, altamente contagiosa, pode evoluir para quadros graves nessa faixa etária, incluindo dificuldades respiratórias e risco de morte.
Apesar da redução de casos, os dados de vacinação revelam desigualdade entre municípios. A cobertura da vacina pentavalente, principal forma de prevenção, varia significativamente no estado, indo de índices elevados, acima de 100% em algumas localidades, a percentuais críticos, como 33,33% em determinados municípios.
No Brasil, o boletim aponta que, em 2026, foram registrados 1.030 casos suspeitos de coqueluche, dos quais 200 (19,4%) foram confirmados. Outros 576 casos (55,9%) foram descartados, enquanto 181 seguem em investigação. O cenário indica circulação ativa da doença, reforçando a necessidade de vigilância contínua.
No Acre, todos os casos confirmados em 2026 tiveram confirmação laboratorial, evidenciando avanço na capacidade diagnóstica do estado. Em 2025, parte das confirmações ainda ocorria por critério clínico-epidemiológico.

