Cruzeiro do Sul utiliza desde o ano passado o inseticida Fludora, um novo produto de Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI).Nesta terça-feira, 26, a empresa fabricante do produto e membros do Ministério da Saúde iniciaram uma capacitação teórica e prática do uso do item no município junto aos Agentes de Endemias.
O consultor técnico da Coordenação Geral de Eliminação da Malária, Gilberto Loures, afirma que o Comitê Federal, tem o objetivo de erradicar a malária até 2035 e o novo produto faz parte das ações do Ministério da Saúde para alcançar essa meta.
“O Programa Nacional tem como uma das suas metas eliminar a transmissão da malária no Brasil até 2035. E diversas ações vêm sendo realizadas para que a gente chegue nesse objetivo e uma delas é melhorar as novas tecnologias em relação à vigilância e ao controle. Então, nós temos implementado desde o ano passado um novo produto para a borrifação interdomiciliar e a gente vem ouvir, trocar conhecimentos em relação a essa nova tecnologia, esse novo produto, com os agentes que realmente aplicam esse produto lá na ponta, onde a transmissão acontece”, relata ele, citando a diferença desse produto para o anterior, como o período de residualidade de seis meses. A aplicação é feita somente duas vezes ao ano e não três, como era com o anterior.
“Esse produto, para ser implementado, levou em consideração o monitoramento da resistência. O produto anterior já estava tendo indícios de resistência dos mosquitos a esse produto. Então, a mudança também considerou a resistência dos vetores aos produtos químicos que são utilizados. E ele tem diversas vantagens, por exemplo, ele deixa menos rastro na parede, ele é um produto hidrossolúvel, então a embalagem se dissolve dentro da água no momento da preparação da cauda. Ele tem um tempo de residualidade maior, o produto anterior a aplicação teria que acontecer a cada quatro meses, esse produto tem um período de residualidade de seis meses, então isso faz com que a aplicação seja somente duas vezes ao ano e não três, como era o anterior. Ele não apresenta parte de ardência, essa irritação que alguns produtos apresentam, esse produto novo não tem isso. Ele é uma mistura de duas moléculas, então para ser ainda mais eficaz no combate ao mosquito, ele atua de diferentes formas, duas moléculas atuando junto para fazer o combate ao mosquito”, afirmou.
O coordenador de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Cruzeiro do Sul, citou a redução de 60% de casos de malária no município e acredita que o novo produto deve fortalecer ainda mais o combate à doença. “ Nós estamos com uma redução bem significativa, em comparação a períodos do dia 1º de janeiro a dia 18 de maio. Em 2025 nós tivemos 1.210 casos de malária. E do dia 1º de janeiro a 18 de maio de 2026, estamos com 487 casos de malária, que deu uma redução de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. E essas novas ferramentas são muito importantes para otimizar ainda mais o nosso dia a dia, o nosso trabalho. A capacitação, o treinamento vem fortalecer a equipe e buscar mais confiança no trabalho e qualidade é primordial para que a equipe desempenhe o melhor papel e um melhor atendimento à nossa população”, pontua.

Cruzeiro também tem novo medicamento de combate à malária
O município também tem um novo medicamento pediátrico de combate à malária. A tafenoquina pediátrica está disponível nas Unidades Básicas de Saúde, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA)e no Hospital do Juruá. O medicamento é indicado para crianças acima de 2 anos, com peso entre 10 e 35 quilos e é ministrado em dose única.
O Ministério da Saúde iniciou a implantação da tafenoquina pediátrica em Cruzeiro do Sul, tornando o Acre o primeiro estado brasileiro a receber oficialmente o medicamento para uso fora dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEls). A escolha de Cruzeiro ocorreu devido aos avanços registrados no combate à malária nos últimos anos e ao cenário epidemiológico da região, onde crianças ainda figuram entre os grupos mais afetados pela doença. É uma alternativa inovadora no tratamento da malária infantil, principalmente por atuar também na prevenção das recaídas, consideradas um dos maiores desafios para o controle da doença na Amazônia.

