O Acre deve enfrentar um cenário de seca mais intensa, aumento das queimadas e ondas de calor nos próximos meses por causa do avanço do fenômeno El Niño. O alerta foi feito nesta quinta-feira, 28, pelo coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão.
Segundo ele, os efeitos do aquecimento das águas do Oceano Pacífico já começam a ser sentidos no estado e devem se intensificar principalmente entre julho, agosto e setembro.
“Esse fenômeno já está instalado praticamente entre 10% e 20%, e ele vai se intensificar nos próximos meses, especialmente falando dos meses de julho, agosto e setembro. Isso vai fazer com que nós tenhamos um momento muito severo de seca”, afirmou.
O alerta ocorre em meio às previsões climáticas nacionais e internacionais que apontam alta probabilidade de consolidação do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informou que há mais de 80% de chance de formação do fenômeno entre agosto e outubro deste ano, cenário que pode agravar a estiagem e aumentar os focos de queimadas na Região Norte.
Baixo nível dos mananciais preocupa
De acordo com Cláudio Falcão, os impactos já começam a ser percebidos nos mananciais da capital acreana.
“Nós estamos com níveis muito baixos nos mananciais. Temos o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, isso vai trazer muita umidade para a Amazônia, porém essa umidade será transportada para o Sul e o Sudeste, e aqui nós vamos ficar com a situação bastante seca”, explicou.
Segundo ele, a tendência é de aumento da evaporação em rios, represas e poços durante o período mais crítico da estiagem.
“Vai haver uma evaporação muito maior em relação aos mananciais, represas e poços, fazendo com que diminuam bastante. Isso vai afetar também a distribuição de água, a questão do consumo de água e dos alimentos”, ressaltou.
Calor, fumaça e impactos na saúde
O coordenador da Defesa Civil também alertou para possíveis impactos na saúde da população, especialmente relacionados à baixa umidade do ar, fumaça e calor extremo.
“Tudo isso vai afetar a agricultura, a produção, doenças relacionadas à ausência de chuva, além das ondas de calor que nós devemos enfrentar”, disse.
Nos últimos anos, o Acre enfrentou períodos críticos de fumaça provocada pelas queimadas, com piora significativa da qualidade do ar em diversos municípios.
Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) também divulgaram análises indicando alta probabilidade de fortalecimento do El Niño em 2026.
Prefeitura discute ações preventivas
Diante do cenário previsto para o segundo semestre, a Defesa Civil informou que já iniciou discussões com a Prefeitura de Rio Branco para adoção de medidas preventivas.
“Infelizmente, nós vamos passar por um período bastante difícil e complicado no segundo semestre de 2026. Claro que já temos conversado com o prefeito Alysson Bestene para que a gente tome todas as providências antecipadas para minimizar todos os impactos”, concluiu Cláudio Falcão.

