Em uma cerimônia marcada pela exaltação à ancestralidade e à preservação ambiental, o líder indígena brasileiro Benki Piyãko, do povo Ashaninka do Acre, foi premiado nesta terça-feira, 12, com o 43º Prêmio da Paz Niwano. A honraria, concedida pela Niwano Peace Foundation, reconhece indivíduos que dedicam suas vidas à construção da paz e à justiça social global.
A premiação ocorreu na Casa Internacional do Japão, com a presença do presidente da fundação, Munehiro Niwano. Benki Piyãko, que é presidente e fundador do Instituto Yorenka Tasorentsi, foi escolhido por seu trabalho incansável na proteção da natureza e pelo fortalecimento das culturas indígenas frente aos desafios contemporâneos.
Um reconhecimento histórico

Com a conquista, Benki Piyãko passa a integrar um seleto grupo de brasileiros reconhecidos pela fundação japonesa, tornando-se apenas o terceiro compatriota a receber a distinção nos últimos 40 anos. Ao ser laureado, o líder Ashaninka segue os passos de duas figuras emblemáticas da resistência e da defesa dos direitos humanos no Brasil: Dom Helder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns.
A ascensão de uma liderança indígena a este patamar de reconhecimento reitera o protagonismo incontornável dos povos originários nos debates diplomáticos e na agenda ambiental global.
Legado de proteção e resistência
Para o Instituto Yorenka Tasorentsi, a premiação representa um marco de honra e a validação de décadas de luta pela floresta em pé. Em seu trabalho no Acre, Benki tem sido uma voz ativa na recuperação de áreas degradadas e na educação ambiental, unindo o conhecimento tradicional Ashaninka a estratégias de sustentabilidade.
Imerso em um clima de profunda celebração, o reconhecimento foi recebido como um manifesto de esperança para os povos originários, simbolizado na exaltação à resistência da floresta e de suas culturas. Em seu agradecimento à Niwano Peace Foundation, a liderança celebrou a importância da proteção dos territórios com “firmeza e alegria”, utilizando o termo Pasonki, “obrigado”, no idioma Ashaninka, para selar o valor histórico desse reconhecimento internacional.
O prêmio reafirma que a paz global, no século XXI, está intrinsecamente ligada à preservação da biodiversidade e ao respeito à soberania dos povos que guardam os biomas mais vitais do planeta.

